São Paulo (SP)

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CLIMA: a proximidade do mar torna São Paulo uma cidade de clima ameno o ano todo,  sem dias de calor extremo no verão ou de frio intenso no inverno. A temperatura média anual é de 19,8°C, chegando a 24,2°C em fevereiro e a 16,4°C em julho. Mas o excesso de prédios, asfalto, concreto e poucas áreas verdes na cidade pode criar ilhas de calor mesmo na época mais fria do ano, não sendo raro que os termômetros ultrapassem a marca dos 25°C. É também de junho a agosto que a poluição se intensifica por causa da temporada de seca. A chamada ‘terra da garoa’ só dá as caras no verão, sendo que dezembro, janeiro e fevereiro são os meses mais molhados, registrando índices superiores a 200 mm de chuva em média.

COMO CHEGAR: a maior cidade da América Latina é servida por dois aeroportos, sendo facilmente acessível por avião de praticamente todas as capitais brasileiras e do continente. Dentro do país os voos são diários, com ou sem escalas, e, fora dele, com frequência minimamente semanal. Em território nacional também é possível percorrer o trajeto de ônibus, que têm pelo menos uma saída diária das capitais, inclusive a mais distante – Rio Branco, no Acre. São Paulo possui três terminais rodoviários diretamente ligados ao sistema de metrô (Barra Funda, Jabaquara e Tietê). De carro, são 430 km desde o Rio de Janeiro que podem ser percorridos em 5h30 pela rodovia Presidente Dutra (BR-116).  Partindo de Belo Horizonte, o trajeto de 586 km é feito pela Fernão Dias (BR-381) numa viagem que dura cerca de 8 horas.

HOSPEDAGEM: moramos em São Paulo, mas creio ter duas boas dicas de hospedagem a oferecer para quem vem de fora. Se a sua vibe for curtir a noite e a culinária da cidade sem ostentação recomendo o Ô de Casa Hostel, localizado em plena Vila Madalena – o bairro dos bares e restaurantes – e pertinho do metrô. Além de jeitosinho, o local oferece quartos compartilhados, privativos, bar e café. Se a ideia for gastar um pouco mais e ter menos agitação ao redor, existe um Ibis muito bem alocado em plena Avenida Paulista, que já é uma atração turística em si. Além disso, o Ibis São Paulo Paulista também está super próximo das estações da Linha 2-Verde do metrô, que passa exatamente embaixo da via mais famosa da cidade.  A Ibis é uma rede mundial de hotéis de baixo custo do grupo Accor, oferecendo aos hóspedes preços razoáveis por quartos pequenos e limpos, com café da manhã pago à parte.

COMO SE LOCOMOVER:
Carro – Evite ao máximo, já que a cidade está sujeita a engarrafamentos diários que podem atingir mais de 200 km de extensão, mesmo nos horários mais improváveis. Além disso, os estacionamentos cobram ‘os olhos da cara’.
Táxi – Não se pode dizer que seja caro, o caso é que as distâncias em São Paulo são muito grandes e sempre se corre o risco de ficar preso em um congestionamento com o taxímetro rodando. Use apenas para horários tardios, ir e vir dos aeroportos – porque não há transporte público direto! – ou se estiver em grupo e possa dividir a conta no final.
Transporte público – Prepare-se para ter uma relação de amor é ódio com ele em São Paulo. Amor quando é possível pegar o metrô fora do horário de pico. Ele é o meio mais rápido e abrangente de circular pela cidade, fazendo conexões inclusive com os trens metropolitanos. O mesmo se aplica a um ônibus que percorra o trajeto que você precisa, mas aí sempre entra o risco do famoso engarrafamento. Consulte a página da SPTrans (está nos Sites de Referência) para descobrir como chegar aos lugares. Mas prepare-se, porque a malha coletiva de São Paulo é muito ruim em termos de abrangência, o que pode significar que você vai ter que pegar três ônibus para ir onde quer. E ainda fica abarrotado na hora do rush, sendo quase impossível andar em uma estação de metrô ou conseguir entrar em um ônibus.
A pé – Apenas para circular dentro dos bairros, do contrário as distâncias são muito longas.

SITES DE REFERÊNCIA:
Cidade de São Paulo
SPTrans

ROTEIRO*:

Dia 1 – quinta

Um bom modo de começar a conhecer São Paulo é por seu eixo central e avenida mais famosa: a Paulista. Desça na estação Consolação do metrô e faça uma caminhada sem pressa pelas calçadas imensas, cercadas por prédios singulares como o da Fiergs e o Conjunto Nacional, muitas lojas e restaurantes. Se perca em uma das filiais gigantes das livrarias Cultura (no número 2073) ou Fnac (no 901). Faça uma parada para descansar no Parque Trianon – uma área verde encravada no coração da cidade – e aprecie a arquitetura contemporânea do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, ou simplesmente Masp, logo do outro lado da rua. O acervo mais importante do Hemisfério Sul merece algumas horas da sua atenção. Lá estão obras de Rafael, Ticiano, Delacroix, Renoir, Monet, Cézanne, Toulouse-Lautrec, Van Gogh, Gauguin, Modigliani e etc etc etc. Depois de alimentar o cérebro, hora de encher a pança: volte até a esquina da avenida com a rua Raddock Lobo e ande uma quadra, até o número 354. Ali está localizada uma das instituições culinárias de São Paulo, a padaria Bella Paulista. As chamadas ‘padocas’ são parte da cultura da cidade e estão por todo canto, mas nenhuma se compara a essa, a ver pela fila na entrada. Além de funcionar 24 horas – está sempre cheia no horário pós balada – ela oferece um cardápio imenso de pratos, sanduíches, sopas e tudo o que você possa imaginar em mesas rodeadas por ilhas onde são exibidos pães, biscoitos, salgados, doces, bolos, tortas, pizzas… e por aí vai. Impossível resistir, ponto. Reabastecidas as baterias do corpo, hora de dar mais uma caminha, desta vez por outra via famosa por ser conhecida como o endereço do luxo na cidade: a rua Oscar Freire. Siga pela Haddock Lobo no sentido contrário, cruzando a Paulista e descendo uma ladeira por cerca de seis quadras. Você estará em meio a grifes internacionais como Calvin Klein, Tommy Hilfiger e Diesel, que dividem espaço com lojas conceito de gigantes do fast fashion, entre elas Havaianas, Riachuelo e Melissa. Além de apreciar as vitrines, é possível sentar em um bistrô na calçada e pedir uma garrafa de champanhe  se o orçamento permitir. Afinal, estamos na rua mais elegante da América Latina! Mas chega de caminhar, é hora de voltar para o hotel/hostel, tomar um banho e partir para o bairro mais boêmio de São Paulo: a Vila Madalena. Vá de táxi ou metrô (existe uma estação do mesmo nome) porque é impossível achar uma vaga na rua e os estacionamentos cobram no mínimo R$ 25.  Uma vez lá, a quantidade de bares e casas noturnas por metro quadrado impressiona, e não é fácil escolher onde sentar. Se seguir este roteiro então, você conhecerá a Vila Madalena em plena noite de quinta-feira, a mais cheia e agitada da semana, quando todos os paulistanos querem beber, comer e se divertir antes de sair da cidade no fim da sexta-feira (para ir ao litoral no verão e à serra no inverno). Recomendo dois lugares de clima mais light, estilo boteco: o Filial (rua Fidalga, 254) e o Genial (rua Girassol, 374). Em ambos as mesas estão sempre cheias, os petiscos têm preços aprazíveis – para São Paulo! – e as rodadas de chopp nunca param. Já se a pedida for um ambiente um pouco mais calmo e uma carta de cervejas BEM ampla, o Melograno (rua Aspicuelta, 436) é o seu lugar. A comida é de cheff e o cardápio parece um livro sobre todos os tipos da bebida existentes. Só prepare o bolso porque ali o preço é mais salgado. Mas por uma noite especial, vale a pena ;).

© Ticiana Giehl & Marquinhos Pereira

Baixinho perto dos arranha-céus vizinhos, o Masp ainda domina a Av. Paulista

Dia 2 – sexta

Seu segundo dia na capital paulista pode ser dedicado a um circuito histórico pelo centro da cidade. Mas vai ter que começar cedinho! Pegue a Linha 1-Azul do metrô até a estação São Bento e, assim que sair do subsolo, já estará cara a cara com os 400 anos do mosteiro que dá nome ao local. Assista à missa das 7h para ouvir o famoso canto gregoriano dos monges durante a celebração, acompanhado pelo gigantesco órgão. De alma limpa, volte ao metrô e parta para a Luz (com o perdão do trocadilho, hehe). O prédio que dá nome à parada é um marco arquitetônico desde 1901, quando foi aberto ao público imitando a pomposidade britânica do Big Ben e da abadia de Westminter. Depois de apreciar a estrutura, volte ao vagão e siga até a Sé, a praça onde estão o Marco Zero da cidade, a famosa catedral do mesmo nome e o Pateo do Collegio. Foi neste local que São Paulo ‘nasceu’ com uma pequena cabana de madeira, onde os padres jesuítas se reuniam para catequizar os índios. Na hora do almoço, a dica é voltar para o largo São Bento (é preciso algumas idas e vindas para acertar os horários das atrações deste roteiro). A cerca de cinco quadras da estação de metrô fica o Mercado Municipal, apelidado pelos paulistanos de ‘Mercadão’. O ‘ão’ não fica por conta só do tamanho do pavilhão construído na década de 1930, mas também pela quantidade e variedade de comida disponível. No andar de cima ficam os restaurantes – alguns nada baratos! – e, no de baixo, as lanchonetes e bancas de frutas. Recomendo a segunda opção: vá até o canto da direita, onde está localizado o Empório de Cerveja Santa Therezinha. Primeiro, escolha qual das atrações culinárias locais você quer provar: o pastel de bacalhau ou o sanduíche do mortadela, que pode chegar a incríveis 600 g!!! Eles estão disponíveis em praticamente todas as lancherias ao redor. Depois, escolha uma boa bebida para armonizar (o Empório tem vendedores especializados que podem lhe dar todas as dicas), dispute a tapa uma mesinha vaga para sentar e faça seu ‘lanchinho’ apreciando o movimento e as cores dos belíssimos vitrais do prédio. Para a sobremesa, caminhe pelas bancas de frutas e peça inúmeras ‘provinhas’ aos vendedores. Delícia sem custo! Uma boa caminhada pode ajudar na digestão, então volte duas quadras e conheça o maior centro de compras da América Latina: a rua 25 de Março. Enlouqueça com os produtos falsificados baratinhos vendidos em dezenas de carrinhos e em centenas de lojas espalhadas por prédios e galerias ao longo da via. Quando cansar do movimento – o local está sempre cheio e pode se tornar um formigueiro humano perto de datas como Natal ou Dia das Mães -, suba a Ladeira Porto Geral, passe pela entrada do metrô e siga até o Edifício Altino Arantes, o ‘Banespão’. A construção, inspirada no nova iorquino Empire State, já foi a mais alta da cidade e ainda guarda uma de suas vistas mais incríveis (mas cuidado com o horário, pois ele fecha às 15h. Se for o caso, inverta com o passeio pela 25). A última parada do roteiro pelo centro é na estação República da Linha 2-Amarela. Você descerá na praça do mesmo nome e caminhará duas quadras pela avenida Ipiranga, até o número 200. Será impossível não avistar a maior estrutura de concreto armado do país, o Edifício Copan. Obra do arquiteto Oscar Niemeyer, a construção em forma de onda abriga centenas de apartamentos e comércio próprio, formando uma pequena cidade para seus moradores. Voltando em direção à estação, pare no Edifício Itália, na mesma rua. Com mais de 60 anos, ele ainda é o segundo arranha-céu mais alto da cidade, com 165 metros. Mas seu topo tem outra vantagem sobre o ‘Banespão’, além da altura. Lá em cima está localizado um dos mais românticos e disputados restaurantes da cidade, o Terraço Itália. Não, ainda não é hora de comer, mas você pode sentar no bar e apreciar o pôr do sol sobre a capital paulista bebericando um vinho gelado com vista panorâmica de tirar o fôlego. Se a bebida lhe abriu o apetite e o cansaço começou a bater, recomendo tomar um táxi até o Veloso, na Vila Mariana (rua Conceição Veloso, 56). A espera por um lugar para sentar pode ser ser longa, mas ninguém se importa e fica batendo papo em pé na rua mesmo. Isso porque vale a pena esperar para comer a melhor coxinha de São Paulo (um título que não diz pouco hein?) e conferir um cardápio de caipirinhas que inclui clássicos muito bem executados e sabores exóticos, como o de carambola com pimenta dedo de moça. Nham, nham!

© Ticiana Giehl & Marquinhos Pereira

O ‘Banespão’ ainda domina o centro da cidade

Dia 3 – sábado

Dia de feira em São Paulo não tem ‘feira’ no nome, é o sábado mesmo! Então comece pela do bairro da Liberdade (linha 1-Azul do metrô descendo na estação do mesmo nome), onde a cidade faz jus ao título de maior colônia japonesa fora do Japão. É como se o vagão te deixasse do outro lado do mundo: as ruas são decoradas por postes vermelhos e lanternas, as fachadas das lojas e bancos têm características orientais – até o McDonalds -, os restaurantes e mercados são todos de comida típica e os rostos que desfilam à sua frente exibem olhinhos puxados. E, nos sábados, as barracas da feira espalhadas pela praça vendem camisetas com inscrições em ideogramas, lanternas, esculturas de madeira, bonsais, além de toda sorte de quinquilharia bem brasileira que estamos acostumados a ver nesse tipo de comércio. Mas a delícia da Liberdade mesmo é se perder pelas ruas vendo as vitrines tomadas de gatos da sorte (aqueles que ficam balançando a patinha; mas para funcionar você não pode comprar, tem que ganhar!), comprar comidinhas que você nem sabe o que são nos mercados, beber algum refrigerante coloridíssimo e de gosto esquisito e, no fim do passeio, escolher um dos inúmeros restaurantes típicos para o almoço! É claro que há muitos japoneses, mas a minha dica é de um chinês. Com paredes pintadas de vermelho e cobertas de dragões dourados, o Chi Fu (praça Carlos Gomes, 200) é uma atração local. Famílias orientais inteiras tomam as mesas redondas para o almoço do fim de semana e, embora os cardápios tenham transcrição em português, a única língua que se houve lá dentro é o chinês mesmo. O pedido é feito apontando o dedo mesmo e torcendo para vir o prato correto, hehe. Antes de partir para a segunda feira do dia, aproveite o início da tarde para conhecer um dos meus lugares favoritos na cidade: o Aquário de São Paulo. Poucos sabem que ele é o maior da América Latina, e o preço salgado da entrada se paga na excelente estrutura do local. Sou fã de aquários e já conheço alguns pelo mundo, então posso dizer com propriedade que o da capital paulista vale a pena! Para chegar lá, desça na estação Santos-Imigrantes da Linha 2-Verde e peça informações, pois é preciso caminhar um pouco. Até causa estranhamento que ele se localize em meio a um bairro residencial cheio de casinhas simples, mas basta entrar no primeiro corredor para estar em meio a um mundo de tanques de todos os tamanhos e formatos, cachoeiras, pontes, peixes, pinguins, leões-marinhos, lontras, tartarugas, jacarés, cobras etc etc etc. A criançada pira com o Nemo, e os adultos viram crianças no setor dos tubarões, onde até o teto é de vidro e permite ver os bichões nadando por cima da sua cabeça. Destaco ainda o gigantesco tanque dos peixes amazônicos, que reproduz uma floresta submersa  e pode ser visto de baixo ou de cima, pois uma passarela permite a passagem sobre a água. Antes que a tarde acabe, vamos em direção ao bairro de Pinheiros. Agora, o melhor é pegar um táxi antes que o horário da feira se acabe (encerra às 19h), pois não existe estação de metrô próxima. O destino final é a praça Benedito Calixto que, aos sábados, vira praticamente um museu a céu aberto com a mais famosa feira de antiguidades de São Paulo. As bancas vendem desde móveis até números de ferro para marcar casas, passando por máquinas de escrever e fotográficas, vinis, livros, louças e pratarias, luminárias, quadros e tudo o mais que couber na praça. Para encerrar o passeio com um excelente jantar, não é preciso sequer sair da Benedito Calixto. Ela também é o endereço de uma das unidades do Consulado Mineiro, o melhor restaurante com comida típica deste Estado na cidade. Comece bebericando uma das pingas recomendadas pela casa, acompanhada de uma porção de pasteizinhos. Para o prato principal, recomendo a feijoada ou o tutu especial (as porções locais são generosas. Para duas pessoas, basta meia feijoada ou um tutu). A sobremesa mais famosa da casa é a torta de banana, mas se fosse você eu não deixaria de provar o doce de leite com pudim. E depois de toda essa comida, a única atividade possível é um bom banho para cair na cama em seguida!

© Ticiana Giehl & Marquinhos Pereira

Aos sábados, uma feira toma conta das ruas características da Liberdade

Dia 4 – domingo

Aproveite seu último dia em São Paulo para acordar um pouco mais tarde, pular o café da manhã e ir direto para uma das manias culinárias mais recentes da cidade: as hamburguerias. As casas especializadas fazem receitas de chef que passam bem longe do Big Mac e andam mais cheias que as tradicionais pizzarias. Recomendo a Lanchonete da Cidade (avenida Macuco, 355), em Moema. Além do sanduíche delicioso, com carne no ponto e opção vegana, o lugar todo inspirado nos bares dos anos 1960 tem decoração temática e capricha no milk sheik. Mas vamos à diversão dos paulistanos aos domingos – quando estão na cidade -, que é aproveitar os parques, seja para jogar conversa fora em um pic nic à sombra das árvores, seja para visitar monumentos ou museus próximos ou ainda para atividades que demandam mais energia, como pratica esportes ou brincar com as crianças. Se estiver passando pela capital paulista no mês de agosto, encare a distância até o parque do Carmo, na zona leste, para conferir a Festa das Cerejeiras. Plantadas pelo governo do Japão, elas coalham um amplo terreno com suas minúsculas e delicadas flores rosas apenas nesta época do ano. Há também apresentações e concursos culturais nipônicos, bancas com comes e bebes e um belo pôr do sol. Se não der a sorte de pegar a festa, a melhor opção de parque fica por conta do famoso Ibirapuera. A gigantesca área verde pode entreter você um dia inteiro no lago onde fontes ritmadas ‘dançam’ a cada hora cheia (à noite, ficam iluminadas); no outro, onde patos não se fazem de rogados em comer na sua mão e carpas deixam a água colorida embaixo da ponte; com o aluguel de bicicletas ou patins; com o pavilhão japonês, o planetário, a pista de skate ou o MAM (Museu de Arte Moderna de São Paulo), que recebe os visitantes com sua escultura de aranha gigante. O estádio do Ibirapuera reúne eventos esportivos do porte da Liga Mundial de Vôlei, e o auditório do mesmo nome está sempre com uma programação repleta de eventos culturais. Não bastasse tudo isso dentro da área do parque, do lado de fora ainda é possível visitar dois monumentos que são símbolos de São Paulo. Basta atravessar a rua em dois pontos diferentes e você estará no Obelisco ou no Monumento às Bandeiras. Ambos ficam iluminados à noite, assim como as fontes do lago, o que me leva à segunda proposta de programa para este dia. Depois que o sol se for, pegue um táxi e faça um tour pelas luzes da cidade. Embora não seja Nova York, o que não falta na capital paulista é neon! Passe pelos já referidos monumentos, siga pela marginal Pinheiros até a ponte Estaiada e finalize na avenida Paulista, onde suas inconfundíveis torres se transfiguram em todas as cores. Se for dezembro então, pare na via para caminhar e curtir a decoração de Natal que faz com que ela seja fechada à noite para que os pedestres possam aproveitar com segurança o clima de ho ho ho. Seu último pit stop em São Paulo será no bairro italiano do Bixiga, para escolher uma das centenas de cantinas com mesas de toalha xadrez  e comer até se fartar. Minha dica final vai para a Lazzarella (rua 13 de Maio, 589). A decoração bizarra, com fitas coloridas no teto e um galo de mentira que canta a cada hora, só melhoram a atmosfera descontraída do lugar. E o bife ao molho de quatro queijos é de comer ajoelhado para agradecer a Deus sua existência. Enfim, não há como conhecer São Paulo sem volta para casa levando alguns quilos a mais!

© Ticiana Giehl & Marquinhos Pereira

Refúgio verde no coração da cidade, o Ibirapuera fica lotado nos finais de semana

* Como moramos em São Paulo, este roteiro não foi feito em datas específicas, ficando os dias da semana apenas como sugestão

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Nova York

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CLIMA: Nova York possui quatro estações bem definidas. Os invernos da cidade vão de dezembro a março e são frios. Eventualmente, tempestades de neve podem paralisá-la completamente. A temperatura média é de 1ºC. As primaveras são amenas, com máximas que variam entre 10°C e 15°C em março, e 20°C a 25°C em junho. Os verões são quentes e úmidos, com máximas entre 32°C e 38°C, e temperatura média de 23°C. A estação vai de julho a setembro, quando começa o outono no Hemisfério Norte. A chuva não chega a incomodar em nenhuma época do ano, sendo mais frequente em maio, julho e agosto.

FUSO HORÁRIO: uma hora a menos que o horário de Brasília.

DOCUMENTOS: é preciso visto prévio para entrar no território americano em qualquer circunstância, mesmo se for apenas para fazer uma escala de viagem! O passo a passo para obtê-lo – em circunstâncias normais de pressão e temperatura – consiste em preencher o formulário (o de turista é o DS-160), pagar a taxa de solicitação (US$ 160 na época da viagem), agendar a ida ao Centro de Atendimento ao Solicitante de Visto (CASV) para colher impressões digitais e outras informações e agendar a entrevista no consulado ou embaixada para a entrega dos documentos. Lembre-se que as entrevistas só podem ser realizadas, por enquanto, em São Paulo, Brasília, Rio e Recife. Feito isso – atualmente é um processo rápido, sendo que as entrevistas podem ser marcadas até para o dia seguinte à emissão do formulário – e tendo comparecido aos dois encontros, são dez dias úteis para a resposta e devolução do passaporte. Atenção: leia todas as instruções do site oficial e também do site da embaixada (endereços estão no item Sites de Referência) para preencher o formulário. Erros mínimos podem acarretar a recusa do visto! Já vacinas não são necessárias.

HOSPEDAGEM: Hostelling International New York tem um preço salgado para a categoria, mas as instalações são extremamente confortáveis, é muito bem localizado, próximo do Central Park e das principais linhas de metrô; além de ter café da manhã incluso, o que não é comum na hospedagem novaiorquina.

COMO SE LOCOMOVER:
Transporte público – é o essencial para se mover em Nova York se você não quiser gastar uma fortuna em táxis. O metrô atende praticamente toda a cidade, os aeroportos e qualquer ponto turístico que você queira conhecer. Compre o bilhete de 7 ou mais dias, pegue um mapa das estações e se jogue nos subterrâneos de cidade sem medidas. Há muitos ônibus também, mas nem chegamos a utilizar.
Táxi – os famosos ‘yellou cabs’ estão por toda parte, mas podem ser bem caros. Use apenas para casos de emergência.
A pé – não é possível conhecer Nova York a pé, mas há várias caminhadas que podem ser feitas dentro de determinadas regiões, como o Central Park ou a Quinta Avenida. E para ligar um passeio ao outro, basta pegar o metrô.
Carro – não vi necessidade, ainda mais em uma cidade tão lotada de pedestres, principalmente turistas, que podem tornar o trânsito complicado e lento para chegar aos pontos turísticos.

SITES DE REFERÊNCIA:
Statue Cruises
Site Oficial de Informações de Visto para os Estados Unidos
Embaixada dos Estados Unidos – Vistos
Guia Melhores Destinos – Nova York
New York City Pass
9/11 Memorial
The High Line

ROTEIRO:

Dia 2 – domingo, 22/12/2013

Chegamos a Nova York sendo surpreendidos pela agradável temperatura de 17ºC em pleno inverno americano. Depois de uma noite inteira no avião e quase duas horas entre o airtrain e o metrô para chegar ao hostel, fomos fazer o que todos os nova-iorquinos fazem nos domingos de manhã: tomar o brunch. Escolhemos a famosa Murray’s Bagel, em Chelsea, pois fica próxima de uma atração que queríamos aproveitar para conhecer com aquele ‘calorzinho’: o High Line. Murray confirmou a boa fama, tanto no saborosíssimo bagle de salmão irlandês quanto na fila de espera, que saía para fora do pequeno estabelecimento. Renovados por litros de café gelado, caminhamos até o parque que se tornou sensação tanto entre turistas quanto entre moradores desde sua inauguração, em 2008. Se a temperatura era de primavera, a paisagem do jardim construído sobre uma antiga linha férrea a metros do chão mostrava a cara do inverno com árvores peladas, folhas forrando o chão e plantas amareladas. Percorremos todo o trajeto sem a menor pressa, parando para fotografar blueberrys, sentando nas espreguiçadeiras ao longo do caminho, admirando a vista do rio Hudson. Já passava muito do meio-dia quando chegamos – literalmente – ao fim da linha e, perto dali, conhecemos outra ‘atração’ da cidade: a megastore BH, especializada em material de vídeo e fotografia. Não fomos a Nova York fazer compras, mas tínhamos uma encomenda natalina a cumprir e foi impossível não passar pelo menos uma hora dentro da loja. Não só por estar lotada em plena semana do Natal, mas porque é um parque de diversões para quem curte engenhocas eletrônicas. Destaque para o sistema que leva os produtos comprados nas diversas áreas dos vários andares do prédio: são mini trilhos suspensos no teto que deixam sua encomenda devidamente identificada direto no caixa! Da BH saímos correndo para chegar a tempo do último cruzeiro do dia pelo Hudson que, no inverno, sai as 16h30, quando já está escurecendo. Mal subimos no barco da Circle Line – a operadora mais famosa e clássica da cidade – e tivemos que sacar nossos gorros, mantas e luvas, pois o vento no meio do rio é de lascar! Mas nada que nos impedisse de gingar de um lado para o outro do convés superior vendo desfilar o skyline mais famoso do mundo iluminado para o Natal – Empire State, Novo World Trade Center, Chrysler Building – e ter a primeira visão, sob os últimos raios alaranjados do sol, da Estátua da Liberdade. Ao fim do passeio, estávamos exaustos demais para pensar em algum restaurante recomendado pelos amigos e paramos no Market Diner, a apenas uma quadra do píer. Hambúrguer delicioso e cerveja Samuel Adams encerraram nosso primeiro dia na Big Apple, pois dali só tivemos força para nos arrastar de volta ao hostel, mesmo sendo apenas 20h!

© Ticiana Giehl & Marquinhos Pereira

High Line fica lotado mesmo nas frias tardes de inverno

Dia 3 – segunda, 23/12/2013

Nosso segundo dia seria dedicado à região denominada Lower Manhattan, onde ficam o distrito financeiro de Nova York e, portanto, o local do antigo World Trade Center, além de Wall Street e do Battery Park, de onde partem os cruzeiros até a Estátua da Liberdade. Nossa primeira parada foi na St. Paul’s Chapel, uma igreja que já era histórica por ter sido frequentada pelo primeiro presidente americano – George Washington -, e, depois de ter ficado intacta em meio aos atentados de 2001, se transformou em um local de oração e homenagem às vítimas. Em seguida, a duas quadras de distância, entramos na longa fila do 9/11 Memorial. Naquela hora, o tempo já começava a mudar e uma chuva fina e fria prenunciava a volta do típico inverno novaiorquino. Levamos mais de uma hora para entrar, apesar de ser necessário reservar horário com antecedência pelo site, e, quando chegamos junto às duas gigantescas fontes que marcam o lugar onde estavam as torres de escritórios destruídas nos ataques terroristas, já estávamos ensopados. Mas a chuva não atrapalhou a visita, ao contrário: deu ao local o clima de tristeza que ele merece. Os nomes das mais de 3 mil vítimas, gravados em metal, eram lambidos por gotas de chuva que lembravam lágrimas; e a bruma cinzenta e baixa não deixava ver o topo no Novo World Trade Center, que ainda não foi inaugurado, mas já está lá como um símbolo americano de regeneração. Encerrada a visita, o frio começou a pegar e decidimos adiar o passeio até a estátua. Trocamos os bilhetes no Battery Park – o que não é muito fácil, mas tivemos sorte de ainda haver um horário livre naquela semana – e voltamos ao hostel para colocar uma roupa seca. O tempo não melhorou depois do meio-dia e nossa saída foi conhecer uma atração próxima: o Museu de História Natural, localizado a apenas algumas quadras de onde estávamos hospedados. O local é gigante, mas é fácil de conhecer se você já é um adulto (e não está viajando com crianças), pois a única parte que vale a pena é o quinto andar, onde está a maior coleção de fósseis de dinossauros do mundo. Os outros são preenchidos por dioramas – um nome bonito para bonecos de tamanho real – que contam a história da evolução da humanidade e não despertam realmente nenhum interesse. Já os dinos nos tomaram três horas, não ficando de fora nem a clássica foto com o Tiranossauro Rex que ganha vida no filme Uma Noite no Museu (eu vi, julguem-me). Saindo de lá, cruzamos o Central Park para tentar chegar ao Metropolitan Museum of Art (MET) antes que fechasse, mas o segurança nos fez um belo NÃO com a cabeça quando tentamos entrar. Sem muitas opções na noite chuvosa e fria, descemos caminhando pela Park Avenue para ver algumas decorações de Natal, comemos um bagle horroroso em uma padaria que prefiro não recomendar e tomamos o metrô para o “ponto turístico” da cidade que o Marquinhos mais esperava: uma partida da NBA. Para não pagar os olhos da cara por uma entrada no Madison Square Garden – o mais famoso estádio do país -, optamos por ver um jogo do Brooklyn Nets no moderníssimo Barclay Center. A partida não foi uma Brastemp, mas nos divertimos com o grande evento que os americanos costumam promover ao redor das quadras: muita comida, cerveja, músicas, apresentações de dança e chamadas de incentivo à torcida, embora o Nets estivesse tomando uma lavada do Pacers! Mas isso era apenas um mero detalhe, é claro.

© Ticiana Giehl & Marquinhos Pereira

Flores lembram o aniversário daqueles que morreram no 11/9

Dia 4 – terça, 24/12/2013

A brilhante ideia de transferir o passeio até a Estátua da Liberdade nos presenteou com um dia de sol e céu azul impecáveis. E de frio, muito FRIO! Os termômetros marcavam -1ºC quando chegamos à imensa fila (sim, mais uma, e outras virão, aguarde) no Battery Park para checar as entradas, passar no detector de metais e, quase duas horas depois, entrar na embarcação que nos levaria até a ilha onde habita The Old Lady. Primeiro, você se amontoa com todo mundo no fundo do deck aberto para fotografar o skyline; depois, vai com a multidão para a grade da direita (não sei como a coisa toda não vira) para registrar a estátua… e depois você descobre que era só esperar todo mundo sair para tirar fotos dos dois ao mesmo tranquilamente, como essa abaixo. Enfim, tudo relacionado ao turismo no Natal nos EUA está ligado a filas gigantes e muita espera, então nem adianta tentar escapar. Demos uma volta pela ilha, nos aquecemos ao sol aos pés do símbolo máximo do país, tiramos fotos de todos os ângulos possíveis e entramos na fila – olha ela aí de novo – para subir ao pedestal da estátua. Sinceramente, não vale a pena pois, além da demorada passagem por outro detector de metais, a melhor visão da Liberdade é aquela que se tem do chão mesmo. Você também pode subir por dentro dela até a coroa, mas é preciso reservar os ingressos com bastante antecedência. O sol já estava baixinho e o frio cortante quando pegamos o barco de volta para Manhattan. Circulamos ainda um pouco pelo distrito financeiro da cidade, indo até Wall Street e vendo a Bolsa de Nova York de longe (um cordão de isolamento não permite a aproximação). Já era noite fechada – embora ainda fossem 17h – quando escolhemos nosso lugar para fazer a ‘ceia’ de Natal: uma das unidades da popular rede Friday’s. O restaurante com cardápio típico americano e decoração anos 50 me conquistou na hora. Comemos deliciosas bufalo’s wings com molhos diversos, nacos de queijo à milanesa com tempero picante e bebemos Budweiser em copos gigantes. Eu não poderia desejar mais nada do Papai Noel. Mas não queríamos que nosso primeiro Natal no exterior terminasse ali. Então fomos para o lugar da cidade onde nunca anoitece: a sempre iluminada Times Square. A avenida estava lotada de turistas que tiveram a mesma ideia e aproveitavam as lojas abertas até a meia-noite. Apreciamos o movimento e os neons até cansar de vez e, aí sim, voltamos para o hostel para um merecido sono natalino.

© Ticiana Giehl & Marquinhos Pereira

A Estátua da Liberdade reina sobre o skyline mais famoso do mundo

Dia 5 – quarta, 25/12/2013

Acordamos cedinho para aproveitar a luminosidade do dia de Natal e passear pelo Central Park e nos deparamos com os termômetros marcando… -7ºC! Coloquei as três calças que tinha levado, touca, luvas, três blusas, meu casaco e manta de lã mais quentes, pegamos nosso café da manhã e levamos para tomar sentados nos banquinhos do parque, à beira de um lago. Mas NADA conseguia me aquecer. Mesmo quando o pálido sol deu às caras, por volta das 10h, eu sentia cãibras terríveis nos pés e caminhar pelo lindo lugar era um sacrifício. Imaginem ir ao banheiro… Encarei a temperatura só com os olhos de fora e fazendo massagens periódicas nos pés e nas mãos. Assim, conseguimos passar por todos os highlights do lugar, desde o mosaico em homenagem a John Lenon – ele foi morto nas proximidades – até o rinque de patinação que é montado próximo da Quinta Avenida no inverno. Passamos por lindos lagos semi-congelados, pontes românticas, fontes e alamedas de árvores com galhos nus e tapetes de folhas vermelhas e amarelas em volta. Me deliciei também com as inúmeras aparições de esquilos que, acostumados com a presença dos turistas, não se fazem de rogados em se aproximar e pegar a comida oferecida. Comemos cachorro-quente a US$ 2 e chocolate quente tamanho americano – de balde – enquanto assistíamos aos primeiros patinadores desfilarem no rinque. Mas quando o sol baixou eu já não suportava mais a temperatura e, com dores terríveis nos pés e mãos, tivemos que sair do parque. Demos uma caminhada breve pela Quinta Avenida até achar um… Friday’s! Parece ridículo repetir restaurante estando na cidade com a maior concentração e variedade deles no planeta, mas havíamos gostado tanto no dia anterior (além de o preço estar dentro do nosso orçamento) que repetimos. Experimentamos desta vez costelinhas com molho agridoce fantásticas e um brownie com sorvete – sim, sorvete! Com calefação central fica fácil comer né? – e calda tão bom que me fez tirar uma foto. Mas o esforço de me manter aquecida ao longo do dia cobrou seu preço e eu estava tão exausta que tivemos que voltar cedo para o hostel. Chocolate quente e uma cama cheia de cobertas eram tudo o que eu queria de NY naquele momento!

© Ticiana Giehl & Marquinhos Pereira

A beleza e as cores do inverno estão todas reunidas no Central Park

Dia 6 – quinta, 26/12/2013

O frio não chegou mais aos -7ºC, mas ficou na casa dos 0ºC mesmo durante o dia nos dois últimos da nossa viagem. Botei a cara na rua meio traumatizada pelo sofrimento invernal passado no Central Park, mas logo percebi que a temperatura se tornara tolerável. Então pegamos o metrô e fomos até o lado oposto ao rio Hudson, onde está a Primeira Avenida e, endereçado nela, a sede das Nações Unidas. O prédio quadrado, cinza e feioso não melhorava nada em meio ao céu cor de chumbo, e nem as bandeiras de todos os países membros da ONU tremulando em frente nos atraíram. Demos apenas uma rápida olhada na fachada e registramos a foto antes de girar nos calcanhares e dar meia volta (quem quiser conhecer o lugar por dentro precisa agendar a visita guiada com antecedência). Nosso próximo destino era o Grand Central Terminal, o prédio centenário de onde partem as principais linhas de trem da cidade. No meio do caminho, havia o Chrysler Building, aquele que foi o mais alto de Nova York até que alguém colocou uma antena no Empire State e o desbancou poucos dias depois. A glória foi curta, mas o prédio ainda impressiona pela construção cheia de símbolos americanos, com águias enormes nas esquinas e o topo decorado como se fosse a coroa da Estátua da Liberdade. O Terminal também não desapontou. O lugar é gigantesco e se apresenta aos visitantes com seu enorme salão dourado, onde está o famoso relógio que virou símbolo do Grand Central, sob um teto pintado como se fosse o céu e as estrelas formando os signos do zodíaco. Além disso, nas laterais e no subsolo, se tornou um verdadeiro shopping, com lojas de todos os tipos e nada menos do que 35 restaurantes, entre eles franquias famosas como a Shake Schak e a Magnolia Bakery. Esta última se vangloria de ter as melhores cupcakes do planeta, e compramos uma de manteiga de amendoim e outra de chocolate para comprovar. Bolinhos não são minha sobremesa favorita, mas a Magnolia realmente sabe o faz! Se não estivéssemos cheios do café da manhã ainda, teríamos provado todos os sabores que colorem a vitrine. Melhor ir embora para resistir à tentação e, quando saímos do prédio, uma surpresa nos aguardava: neve! Floquinhos minúsculos, quase invisíveis, rodavam no ar e enchiam minhas luvas pretas de pontinhos brancos! A Serra Gaúcha já viu neve mais forte que aquela, mas era minha ‘primeira vez’ e não consegui deixar de tirar fotos e rir como criança. Os flocos nos acompanharam durante o caminho até a Quinta Avenida e ficaram mais fortes em frente à Biblioteca Municipal, mas desapareceram em seguida. E isso é tudo o que tenho a contar sobre a neve em NY. Seguimos em frente, até os imponentes leões que guardam o prédio famoso pelas aparições em filmes como ‘Sex & The City’ e ‘O Dia Depois de Amanhã’. Uma linda árvore de Natal decorava o hall, todo iluminado com velas. Subimos pelas deslumbrantes escadarias de mármore até os salões de leitura, de onde se tem uma vista inesperada do Empire State através das imensas janelas, e encerramos a visita com uma rápida passada pela livraria local. Andamos então até a famosa casa dos Knicks, o gigantesco Madison Square Garden (assim é o turismo de quem namora um jornalista esportivo, he). Infelizmente, não há muito o que ver das quatro arenas que formam o complexo pelo lado de fora, mas ficou o registro. Também descobrimos que ali é um ótimo ponto para fotografar o Empire State antes de entrar na – mais uma – longuíssima fila para se chegar ao seu observatório. Duas horas depois, desembarcamos no 86º andar, onde fica o terraço ‘comum’ do prédio mais famoso do mundo (quem quiser pagar mais pode subir até o 102º, mas a máquina de tickets estava estragada e desanimamos de descer e ter que comprar na bilheteria láaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa no térreo). Sim, você vai ter que disputar a tapa com uma multidão um espacinho para ver o skyline. Sim, tem aquela grade horrorosa de ferro no caminho. Não, não é a melhor vista da cidade. Mas não existe primeira viagem a NY sem ir ao Empire State certo? Então encaramos tudo isso, mais um frio congelante para ver o compensador pôr do sol sobre New Jersey, do outro lado do Hudson, enquanto a Estátua da Liberdade se tornava uma pequenina sombra azul com o cair da noite e as luzes da cidade se acendiam aos milhões, iluminando até o novo World Trade Center, no extremo sul da ilha. A luminosidade da Big Apple é tanta que dava para ver, lá de cima, o rinque de patinação do Rockfeller Center, que fica embaixo da maior árvore de Natal do mundo. E foi para lá que nos dirigimos, dando antes uma parada para o ‘almoço’ – já eram 17h – no Heartland Brewery, que fica ao lado da entrada principal do Empire e serve um hambúrguer de carne de porco picante delicioso acompanhado de cerveja da casa. Partimos então para o mais que lotado Rockfeller Center, onde a iluminação, o rinque e a árvore valem cada empurrão que se leva. Impossível não se sentir criança de novo olhando uma árvore de Natal de baixo para cima! E ainda assistimos a um pedido de casamento em pleno rinque, com direito ao rapaz de joelho no meio do gelo, anel de brilhantes e tudo o mais!  Mas achamos o preço para patinar ali muito alto – cerca de US$ 100 para duas pessoas -, e optamos por ter a experiência inédita no dia seguinte no Central Park, onde as entradas e o aluguel dos patins custariam a metade. Terminamos a noite passeando pela Quinta Avenida e namorando suas extravagantes vitrines de Natal.

© Ticiana Giehl & Marquinhos Pereira

Patinar sob a maior árvore de Natal do mundo pode sair bem caro

Dia 7 – sexta, 27/12/2013

Último dia, hora de acordar cedo e correr para tentar completar todo o roteiro que planejamos pela cidade. Começamos atravessando a ponto do Brooklyn, mesmo com os termômetros marcando 0ºC e um vento de lascar no meio do rio. Mas aconselho a todos a fazerem a travessia, mesmo em condições climáticas adversas, porque ela proporciona ótimas vistas do novo World Trade Center e da estátua da Liberdade. Além disso, do outro lado está o famoso bairro que nomeia a ponte. Caminhamos pelas ruazinhas calmas, cheias de pequenos prédios de tijolos aparentes, até chegar ao Brooklyn Bridge Park, construído em um aterro dentro do rio e muito recomendado no verão por seus restaurantes e atrações culturais. Naquela manhã gelada, estava quase vazio e os lugares, fechados. Mas nos rendeu fotos fantásticas do skyline da cidade e uma parada na Brooklyn Ice Cream Factory. A famosa sorveteria artesanal fica em uma casinha que parece de bonecas bem abaixo da ponte e em frente a outro point gastronômico da região, a Grimaldi’s Pizzeria, que já tinha fila na porta de entrada. Optamos por encarar o sorvete mesmo. Quer dizer, o Marquinhos optou e adorou, enquanto eu me aquecia com o melhor chocolate quente que tomei durante nossa estada na cidade. De volta ao metrô, a Manhattan e ao Rockfeller Center, subimos ao Top of The Rock para, agora sim, ter a melhor vista da cidade. Sem a demora e as grades do ‘rival’ Empire State e de frente para o mesmo, o observatório do 70º andar oferece aos visitantes três níveis de subida, o que evita a aglomeração. No último, não há acrílico nem nada que separe você de outro pôr do sol maravilhoso enquanto as luzes do Empire State se acendem bem à sua frente e o Central Park mergulha nas sombras logo atrás. É imperdível e, se tiver pouco tempo na cidade e for obrigado a escolher entre os dois, fique com o Top of The Rock! Descida a noite, descemos nós também para aproveitar o horário de visitação noturna (só nas sextas-feiras) do Museum of Modern Art (MoMA). Perdemos o MET no fim das contas, mas eu não podia ir embora de NY sem ver as Ninféias de Monet, as Demoiselles d’Avignon de Picasso, a Noite Estrelada de Van Gogh e as famosas latas de sopa Campbell de Andy Warhol. Foi morrendo de fome e quase mortos de cansaço que chegamos ao último ponto do nosso roteiro: o rinque de patinação do Central Park. Compramos as entradas para o último horário, 22h, e , quando entramos na pista de gelo, achei que tinha sido uma péssima ideia, pois não conseguia nem ficar de pé naquela coisa. Mas fomos girando agarrados na mureta lateral até que o equilíbrio começou a aparecer, descobri como empurrar com a trava e… voilà! Antes das 23h, quando o rinque fechou, eu já patinava numa velocidade razoável e sem o apoio do corrimão (embora ficasse pertinho dele, he). Finalizamos nossa viagem com um jantar desesperado no primeiro restaurante descente que encontramos aberto: um Applebee’s! Nada original, mas estávamos sem almoço e já era meia-noite, então nenhum outro hambúrguer ou cerveja no mundo algum dia pareceram tão deliciosos!

© Ticiana Giehl & Marquinhos Pereira

O Top of the Rock tem a melhor vista do ‘rival’ Empire State Bulding

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Bogotá

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CLIMA: Bogotá tem chuvas dispersas por todo o ano e a temperatura sofre pouca variação. De dia chega a 24°C e à noite, a 15°C. No entanto, dias nublados podem ser bastante frios e as mínimas ficam abaixo de 10ºC. Na Colômbia em geral, a temporada de chuva (inverno) vai de abril a junho e de setembro a novembro. Geralmente, as chuvas se concentram no final do dia, como na Amazônia. Já a temporada de seca (verão) é de novembro a março e de julho a agosto.

FUSO HORÁRIO: duas horas a menos que o horário de Brasília.

DOCUMENTOS: não é necessária a solicitação prévia de visto para brasileiros que visitem a Colômbia por até 90 dias. Mas é exigida vacina contra febre amarela. Ela pode ser feita gratuitamente nos postos de saúde e é válida por dez anos, tendo que ser feita no mínimo dez dias antes da viagem. Após tomar a dose, é preciso levar o comprovante até o posto da Anvisa para que seja emitida a carteira internacional de vacinação.

HOSPEDAGEM: essa dica é para quem vai ficar pouco tempo na cidade e precisa de um local próximo ao aeroporto. A Bogota On Holidays foi o mais barato que encontrei nessa região, embora não chegue nem perto do preço de um hostel. Mas o café da manhã está incluso e eles não cobram para pegar você no terminal aéreo (para voltar sim!). E, se for passar um fim de semana ou algumas horas conhecendo a cidade, ele fica a apenas 10 minutos de táxi do centro.

COMO SE LOCOMOVER:
Táxi – são uma opção barata, mas é preciso cuidar o horário, pois Bogotá pode ter engarrafamentos quilométricos. E, ao contrário de muitas cidades latino americanas, na capital colombiana existe taxímetro.
Transporte público – não chegamos a utilizar, mas vi que há um sistema similar ao de Lima, em que ônibus andam em corredores exclusivos, como uma espécie de metrô na superfície.
Carro – como os táxis são baratos, não creio que seja necessário. Sempre lembrando que os motoristas latinos costumam ser bastante agressivos no trânsito.
A pé – é possível fazer todo o percurso turístico a pé se você não estiver com pressa. Como nós estávamos, usamos táxi para o trecho entre o Cerro Monserrate e o Museu del Oro, caminhando apenas depois pelo centro histórico.

SITES DE REFERÊNCIA:
Portal Oficial de Turismo da Colômbia
City Tour de Bogotá – in-transit
Viciada em Viajar – Roteiro a pé pelo centro colonial de Bogotá
Cerro Monserrate

ROTEIRO:

Dia 1 – sábado, 21/12/2013

Tínhamos oito horas de conexão entre São Paulo e Nova York para conhecer Bogotá, e demos a largada indo direto ao Cerro Monserrate, de onde se descortina a melhor vista da cidade. Para subir é preciso pegar o teleférico ou o funicular, que estava desativado no horário em que chegamos. Então foi a primeira alternativa que nos levou a 3.152 metros do nível do mar. Lá em cima, o tempo bastante fechado atrapalhou um pouco a visibilidade, mas foi possível divisar desde o centro histórico e suas igrejas até toda a amplidão cinza da capital colombiana. Além da vista, o Cerro Monserrate oferece aos turistas o santuário da padroeira da cidade – uma igreja bastante simples -, restaurantes panorâmicos, um café e belos caminhos ajardinados onde estão as estações da Via Crucis. Descemos novamente pelo teleférico, já com a luz da tarde em caminho descendente, e pegamos um táxi para chegarmos mais rapidamente ao Museo del Oro. O lugar me surpreendeu por ser um exemplar de primeiro mundo quando estamos tão acostumados ao desprezo com os museus latino americanos: localizado em um prédio moderno, com iluminação adequada, belíssimas vitrines, ótima organização e apresentação das peças, unidades interativas etc. Passamos mais de uma hora lá dentro fascinados pelas peças de ouro puro como coroas, joias, objetos de decoração, de oferenda, de guerra, minúsculos ou capazes que cobrir uma pessoa dos pés à cabeça.

© Ticiana Giehl & Marquinhos Pereira

O Museo del Oro é um raro exemplar de primeiro mundo na América Latina

Saindo do Museo del Oro, já estávamos a poucas quadras do centro histórico de Bogotá, o bairro chamado La Candelaria, e fizemos o restante do trajeto a pé. As principais ruas ao redor da Plaza de Bolívar estavam fechadas apenas para os pedestres e decoradas para as festas de fim de ano. Nos deliciamos com o cheiro de inúmeras comidas de rua até chegarmos à Catedral Primada de Bogotá. Embora seja bem simples por dentro, é uma igreja belíssima por fora, ainda mais iluminada pelas luzes de Natal. Todos os prédios da praça central da cidade estavam decorados, entre eles o Palacio de Justicia e a sede da prefeitura. O Capitolio Nacional, que fecha o quadrado, no entanto, estava às escuras e havia um grande tapume na frente. Imaginamos que pudesse estar em obras, mas logo fomos surpreendidos pelo motivo: um grande show de águas dançantes ao som de clássicos e músicas natalinas. Ficamos tão encantados que, quando descobrimos que a apresentação se repetiria ainda mais duas vezes naquela noite, fomos até um mercado próximo, compramos comida para jantar e a boa cerveja colombiana, e acampamos na praça lotada até que o último jato d’água subisse ao céu.  Foi justo quando a chuva começou a cair, e encerramos então nossa visita relâmpago à capital colombiana.

© Ticiana Giehl & Marquinhos Pereira

O Capitolio Nacional vira atração natalina nas festas de fim de ano

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Cartagena

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CLIMA: Cartagena pode ser visitada o ano inteiro, já que tem temperatura média beirando os 30ºC, mas no mês de outubro as chuvas e o ventos são mais fortes. Na Colômbia em geral, a temporada de chuva (inverno) vai de abril a junho e de setembro a novembro. Geralmente, as chuvas se concentram no final do dia, como na Amazônia. Já a temporada de seca (verão) é de novembro a março e de julho a agosto.

FUSO HORÁRIO: duas horas a menos que o horário de Brasília.

DOCUMENTOS: não é necessária a solicitação prévia de visto para brasileiros que visitem a Colômbia por até 90 dias. Mas é exigida vacina contra febre amarela. Ela pode ser feita gratuitamente nos postos de saúde e é válida por dez anos, tendo que ser feita no mínimo dez dias antes da viagem. Após tomar a dose, é preciso levar o comprovante até o posto da Anvisa para que seja emitida a carteira internacional de vacinação.

HOSPEDAGEM: embora o atendimento não seja exatamente o ideal, o El Viajero Cartagena Hostel está muito bem localizado dentro da cidade fortificada, com fácil acesso às principais atrações, enquanto muitos dos hotéis com estrelas acabam ficando longe, no bairro de Boca Grande, por causa do tamanho. O café da manhã está incluso e, o que é fundamental por lá, todos os quartos tem ar condicionado, mesmo os compartilhados.

COMO SE LOCOMOVER:
A pé – se você estiver hospedado dentro das muralhas ou próximo, é possível conhecer quase todos os pontos turísticos da cidade caminhando.
Transporte público – há um grande terminal de ônibus no centro histórico, que leva para os bairros mais distantes, mas não chegamos a utilizar.
Táxi – é baratinho, basta combinar o preço antes porque não existe taxímetro. É uma boa opção para o transporte até o aeroporto ou se quiser conhecer o bairro de Boca Grande.
Carro – além de não existir necessidade, as ruas de Cartagena são um labirinto estreitíssimo e os motoristas, doidos.

SITES DE REFERÊNCIA:
Guia Melhores Destinos – Cartagena 
Turismo Cartagena de Indias
Nós no Mundo – Um passeio em Cartagena: dicas básicas

ROTEIRO:

Dia 1 – sexta, 18/10/2013

Quando saímos de Bogotá, os termômetros marcavam 7ºC. Quando descemos do avião em Cartagena uma hora depois, 30ºC. A primeira coisa que se sente lá é o calor sufocante e úmido, que acompanha a cidade praticamente o ano todo. Por isso, assim que largamos as coisas no hostel, passamos uma boa camada de protetor solar antes de começar a bater perna pelo centro histórico. Óculos de sol e garrafinha de água também são itens essenciais, além de roupas levíssimas e calçados abertos. De cara já nos encantamos com a arquitetura colonial espanhola, presente em cada casinha, por mais simples ou necessitada de reformas que esteja. Se perder pelas ruelas estreitas e observar os balcões recheados de flores coloridas é uma delícia sem fim. Assim encantados, sempre olhando para cima, chegamos à Torre del Reloj, que serve de ponto de partida para conhecer a grande atração da cidade: os 11 quilômetros de muralhas construídas entre 1500 e 1700 e que são consideradas as mais preservadas do mundo. Seguimos o trecho à esquerda da torre, passando pela bela fachada da  Iglesia San Pedro Claver, e andamos sobre o Patrimônio da Humanidade tirando muitas fotos com seus canhões e torreões de vigília apontados para o mar do Caribe. Quando o sol do meio-da se tornou insuportável, ‘baixamos’ de volta à cidade e paramos na praça da Igreja e Covento de Santo Domingo para almoçar à sombra. Provamos o prato típico local – pescado com arroz de coco, salada e patacones, uma espécie de mandioca assada em rodelas – e abrimos as primeiras Club Colombia. A cerveja é muito saborosa, mas não fica gelada nem cinco minutos! Ainda fomos até a Catedral de Cartagena, que não é muito bonita nem por dentro nem por fora, mas depois desistimos de caminhar ao sol e esperamos o entardecer, quando fomos explorar o outro lado da muralha. Nos encantamos tanto ao vê-la se iluminando ao cair da noite que perdemos o pôr do sol no Cafe del Mar, ponto de referência para ver o astro rei descer no Oceano. Perdemos o sol, ganhamos a lua, que surgiu imensa sobre os muros e fez a alegria das nossas fotos. Para jantar, voltamos à Plaza  de Santo Domingo, onde os vários bares e restaurante espalham suas mesas depois que o calor alivia, e provamos um picado de carne com mais Club Colombia.

© Ticiana Giehl & Marquinhos Pereira

Balcões são a atração pelas ruelas estreitas

Dia 2 – sábado, 19/10/2013

Apesar de ser banhada pelo mar do Caribe, Cartagena nem de longe lembra as praias paradisíacas características dessa parte do mundo. Para ver o ‘mar de sete cores’, é preciso ir até o píer turístico e reservar um passeio ao Parque Nacional Natural Los Corales del Rosario y de San Bernardo. O nome gigante abriga inúmera ilhas, onde é possível passar o dia desfrutando dos hotéis que são donos delas. Depois de sermos assediados desesperadamente pelos agentes de viagem – vendedores de qualquer coisa são uma praga do inferno e estão por toda parte na cidade, balance a cabeça e não fale nada se quiser se livrar sem MUITA insistência –  escolhemos a única delas que oferecia sistema all inclusive: Cocoliso. O trajeto de barco sai todos os dias pela manhã e é feito em cerca de 40 minutos. Assim que nos aproximamos das ilhas, a água mudou magicamente do azul petróleo para o verde esmeraldino, e cardumes de peixes coloridos passavam pela embarcação. Cocoliso tem uma pequena praia artificial com muretas que formam piscinas dentro do mar transparente e morninho. Só saíamos dali para pegar mais e mais drinks coloridos feitos com o excelente rum colombiano. Infelizmente, a ‘diária’ na ilha termina por volta das 15h30, quando fomos embarcados de volta para Cartagena. Tomamos um banho rápido no hostel e, desta vez, chegamos ao Cafe del Mar a tempo de assistir ao entardecer. Como havia chovido, o lugar estava vazio e conseguimos as melhores mesas. As nuvens não permitiram ver o disco de ouro encontrar o Oceano, mas o colorido do céu e das águas é muito bonito de qualquer forma. Ainda mais quando regados a muitas Margaritas, Rum Ponches e a sempre presente Club Colombia ;).

© Ticiana Giehl & Marquinhos Pereira

O point do pôr do sol em Cartagena é o Cafe del Mar

Dia 3 – domingo, 20/10/2013

Escolhemos o dia mais quente de nossa estada para fazer o passeio ao Forte de San Felipe de Barajas, que fica na outra margem do canal. É possível ir até lá com os ônibus turísticos hop on hop off – que combinam a fortaleza com a subida até o Mosteiro da Popa – mas decidimos ir andando mesmo, pois a distância não é grande. Não contávamos com o sol inclemente, que tornou a caminhada quase insuportável. Tivemos que parar em um bar antes mesmo de chegar ao forte para derrubar um litro de água em nossas gargantas secas.  O lugar impressiona já de longe, com uma bandeira colombiana gigante cravada no topo. Maior construção militar espanhola no Novo Mundo, o forte que data de 1600 está muito bem conservado e é possível entrar nos túneis que ligavam seus setores. Além disso, é um ótimo ponto para ver Cartagena de cima, do mesmo jeito que os soldados que a vigiavam, e observar como suas construções antigas e modernas se misturam. De volta à Ciudad Vieja, entramos no primeiro restaurante que oferecia ar condicionado e almoçamos sorvete, pois não havia nada mais que pudesse combater tamanho calor. Ficamos tão extenuados pelo sol que desistimos de fazer o passeio seguinte – o Mosteiro da Popa – mesmo sabendo que o lugar ofereceria uma bela vista da cidade. Os táxis até lá custavam mais que gostaríamos de pagar e já tínhamos tido uma boa visão de Cartagena a partir de San Felipe. Só colocamos a cara na rua de novo para ver o pôr do sol, desta vez de um ponto da muralha um pouco adiante do Cafe del Mar, e escolher um lugar para jantar e beber. Nos rendemos ao Via Apia Tapas Bar, pertinho do Convento de Santo Domingo, de onde soava uma ótima seleção de pop/rock e que oferecia mesinhas nas típicas janelas gradeadas de madeira. Adoramos o lugar, comemos chorizo com molho e tomamos uma inusitada cerveja misturada com tequila, pimenta, sal e molho inglês. Para encerrar a noite, ainda paramos na La Paletteria, que vende apenas picolés artesanais e sempre tem fila. Eles são de tantos sabores e todos tão coloridos que fica difícil escolher. Acabamos levando os deliciosos Nutella e caramelo para ir saboreando na caminhada sob o luar até o hostel.

© Ticiana Giehl & Marquinhos Pereira

Castillo San Felipe é a maior construção militar espanhola do Novo Mundo

Dia 4 – segunda, 21/10/2013

Voltamos ao píer no quarto dia para conhecer a famosa Playa Blanca. Embora tenhamos pedido insistentemente ao agente que queríamos ir APENAS até o balneário, fomos colocados no barco que faz o passeio combinado, que é o escolhido por 99% dos turistas. Ficamos furiosos, pois esta modalidade faz, antes, um passeio pelas Islas del Rosario, que nós já conhecíamos, e só nos permitiria ficar poucas horas na Blanca. Fica o conselho para quem gostaria de passar o dia por lá: compre apenas o transporte de barco ida e volta diretamente no guichê sinalizado, sem a interferência dos agentes.  Chegamos à praia às 14h, quando o sol já não permite ver todas as cores do mar, o que foi muito frustrante. Pelo menos, descobrimos que a Playa Blanca não é exatamente o melhor programa do mundo. O lugar é bonito com suas areias claras e mar transparente, mas para quem conhece outros lugares do Caribe, não tem nada de excepcional. Além disso, se você quiser sentar na sombra tem que pagar pelas barracas que cobrem grande parte da orla, de tal forma que as vezes é impossível ver o que há por trás delas. Sentamos no chão mesmo, mas logo descobrimos que seria impossível ficar em paz, pois os vendedores não param um minuto, oferecendo desde artesanato até massagens com a cansativa insistência colombiana. O único jeito de aproveitar um pouquinho aquela praia foi ficando dentro da água, mas sempre de olho nos nossos pertences em terra, já que furtos são comuns ali. No fim de tudo, apesar de um banho de mar gostoso, não curtimos a Playa Blanca. De volta a Cartagena, escolhemos um lugar bem típico para passar o fim de noite. O Donde Fidel tem música local – não ao vivo -, mesas a céu aberto com vista para a Torre del Reloj e cerveja muito barata.

© Ticiana Giehl & Marquinhos Pereira

Vendedores não dão sossego e quase estragam a Playa Blanca

Dia 5 – terça, 22/10/2013

Cumprido o roteiro de atrações turísticas que haviam nos interessado mais, nos restavam para o último dia em Cartagena as opções de conhecer uma praia da cidade, fazer o passeio até o vulcão Totumo ou repetir uma diária nas Islas del Rosario, que havíamos adorado. Os balneários locais ficam no bairro de Boca Grande, onde precisaríamos chegar de táxi, e não tem nada de caribenhos, então descartamos. O banho de lama no vulcão cercado por nativos que cobram para tirar fotos também me pareceu um ‘mico’ desnecessário. Então nos rendemos à terceira opção e retoenamos a Cocoliso para mais um dia de sol, mar e drinks coloridos de rum. Arrependimento zero. De volta à terra firme ainda sobrou tempo para, antes de seguir até o aeroporto, dar uma espiada no Castillo San Felipe iluminado à noite. Fotos lindas para o coração não ficar tão apertado na despedida de Cartagena!

© Ticiana Giehl & Marquinhos Pereira
Cocoliso é uma das ilhas particulares do parque nacional do Rosario
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Aruba

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CLIMA: é tropical seco, o que garante um temperatura média de 27ºC durante o ano todo na ilha, refrescada por um vento constante. Os meses mais frios são janeiro e fevereiro e os mais chuvosos, de outubro a dezembro. Mas, mesmo nessa época, a precipitação é muito esparsa, e os dias de tempo ruim são raros.

FUSO HORÁRIO: uma hora a menos em relação a Brasília.

DOCUMENTOS: não é necessário apresentar visto prévio ou qualquer certificado de vacinação.

HOSPEDAGEM: essa eu recomendo de olhos vedados! A Aruba Sunflower é a pousada mais charmosa e acolhedora em que já estive. A proprietária, dona Rienke, te busca no aeroporto, te explica como chegar na praia e no mercado baratinho e te aluga o jipe 1991 dela por um precinho camarada. A casa fica a apenas duas quadras da praia de Palm Beach e você pode optar entre as suítes e os quartos com cozinha. Tudo muito limpo, arrumado e com mosquiteiro (o que é fundamental por lá). O lugar é tão habitué entre os brasileiros que o site tem uma versão em português.

COMO SE LOCOMOVER:
A pé – perfeito para circular pela área dos resorts, mas não se consegue conhecer tudo apenas andando. Se você estiver em Eagle Beach, Palm Beach fica a uma boa caminhada de distância e vice-versa. E há pontos da ilha onde é preciso duas horas de carro para chegar.
Transporte público – há ônibus que percorrem a ilha pela estrada principal, de ponta a ponta, mas são precários, embora baratos. Creio que alugar um veículo traz melhor custo-benefício.
Táxi – há no aeroporto, na capital e pode-se chamá-los até área dos hotéis, mas é preciso combinar o preço antes da partida.
Carro – são baratos para alugar e necessários para ir até Baby Beach, Oranjestad ou ao norte da ilha, onde estão o California Lighthouse e Arashi Beach.

SITES DE REFERÊNCIA:
Mochileiros – Aruba, Barbados e Curaçao
The Official Aruba Tourism Authority
Red Sail
InselAir

ROTEIRO:

Dia 1 – domingo, 13/03/2011

Quando chegamos pela primeira vez na praia de Palm Beach, a mais extensa e bela de Aruba, foi difícil acreditar que pudesse existir um mar daquela cor: estonteantes tons de azul e verde fluorescente. A areia branca é pontilhada de palapas – os guarda-sóis típicos feitos de madeira e palha -, mas eles são para o uso dos hóspedes dos resorts que circundam toda a orla. Por isso, montamos nosso ‘acampamento’ na ponta norte, quase em Malmok Beach, depois do último gigante all inclusive, o Mariot. Alugamos cadeiras e sentamos sob a sombra das árvores com a nossa marmita de sanduíches, salgadinhos e cerveja. Ok, a bebida não fica exatamente gelada, mas os bares na beira da praia pertencem, em sua grande maioria, aos hotéis e podem ser bastante caros. E quem vai se preocupar com comida quando pode passar horas flutuando nas águas paradas e transparentes ou simplesmente observando as mil cores do oceano??? Aliás, não contentes com os azuis e verdes, voltamos à praia no fim da tarde para vê-lo se tingir de rosa e laranja. Foi lá que assisti ao pôr do sol no mar pela primeira vez e, juro por Deus, acho que ele ainda está impresso em algum lugar da minha retina. Não faltou nem o navio passando em frente ao disco dourado no horizonte. Alimentada a alma, o estômago começou a reclamar atenção. Caminhamos por toda extensão da areia em meio às luzes coloridas e piscinas dos resorts até achar algo que não fosse um restaurante com cara de ‘preço alto’. Assim conhecemos o Moomba, um bar/restaurante/balada pé de areia mais do que delicioso. Tanto que voltamos lá quase todas as noites. Pedimos lanches e fomos apresentados à excelente Balashi, a cerveja local.

© Ticiana Giehl & Marquinhos Pereira

O primeiro pôr do sol no Oceano é inesquecível

Dia 2 – segunda, 14/03/2011

Ao lado de Palm Beach, mas não exatamente perto, fica outro balneário famoso de Aruba: Eagle Beach. Encaramos a caminhada de 30 minutos com a disposição dos primeiros dias de férias e chegamos a mais mar azul inacreditável e areias brancas convidativas. As diferenças começam pela ausência da ‘muralha’ de resorts na orla, o que possibilita a existência de barzinhos de drinks coloridos e palapas para alugar. A água também é mais funda, o que forma verdadeiras piscinas. Eagle Beach ainda é o berço das famosas Divi-divi, a árvore retorcida que virou símbolo e cartão-postal de Aruba. Seria um belo lugar para passar mais tardes se não ficasse tão distante do lugar onde estávamos hospedados. Voltamos caminhando pela beira da rodovia, e não pela praia, como de manhã, e assim descobrimos que, por trás dos hotéis, Palm Beach escondia um ‘centrinho’, com restaurantes, mini-shoppings, um Hard Rock Café e muitas lojinhas de artesanato. Voltamos à noite para comprar lembrancinhas e escolhemos o Tomato’s Charlie Pizza para jantar. A pizza é gostosa, o preço não é salgado – com perdão do trocadilho – e a Balashi MÉDIA vem em um balde, literalmente.

© Ticiana Giehl & Marquinhos Pereira

O mar é mais profundo em Eagle Beach, formando verdadeiras piscinas

Dia 3 – terça, 15/03/2011

Depois de mais um ‘lazy day’ em Palm Beach praticando nosso esporte favorito no Caribe – a flutuação em boias sobre a água transparente à longa distância -, aceitamos comprar um passeio do mesmo simpático nativo que nos alugava as cadeiras desde o primeiro dia. O ‘sunset sail’ é um hit de Aruba e, como o nome já diz, leva os turistas para ver o pôr do sol durante um passeio de barco de cerca de duas horas. São tantas embarcações singrando ao entardecer que as pessoas ficam dando ‘tchauzinho’ para o barco do lado e tirando fotos umas das outras. Mas vale a pena fazer, não só pelo cenário como porque os drinks a bordo são grátis, he. Recomendo o Aruba Ariba, que mistura sucos de laranja e morango ao famoso licor local Coecoei, entre outras bebidas alcoólicas. Não tem como o céu não ficar mais colorido depois disso ;).

© Ticiana Giehl & Marquinhos Pereira

Fazer um cruzeiro ao pôr do sol é obrigatório em Aruba

Dia 4 – quarta, 16/03/2011

Aruba tem uma média de cinco dias de chuva por ano. E é claro que nós estávamos lá justamente em um deles. O jeito foi desligar o despertador e dormir até mais tarde, sem a ‘obrigação’ de correr para aproveitar o sol. Também curtimos a piscina da nossa excelente pousada, a Aruba Sunflower (link nos Sites de Referência), que de tanto receber brasileiros tem até uma versão em português de sua página na web. No fim da tarde, o céu abriu um pouco e fomos caminhar na praia. Desta vez andamos para o outro lado, oposto aos resorts, até Hadicuri Beach. As algas e pedras nesse trecho do mar dão cores diferentes à água, principalmente contra as nuvens ainda pesadas de chuva. Não deve ser um bom lugar para nadar, mas rendeu fotos bonitas. Ficamos ali até a escuridão completa, antes de voltar ao Moomba para mais uma noite de Balashi e drinks com guarda-chuvinha.

© Ticiana Giehl & Marquinhos Pereira

Hadicuri Beach proporciona belas tonalidades ao entardecer

Dia 5 – quinta, 17/03/2011

Havíamos reservado desde o Brasil um passeio de meio dia para fazer snorkel em Aruba. É possível praticar na beira da praia também, mas não existe quase nada para ver. Já em águas mais profundas, a história é outra. Navegamos em direção ao norte da ilha e paramos em três pontos. Um deles incluía nadar sobre o naufrágio do Antilla, perfeitamente visível lá de cima graças às águas transparentes. Outro foi perto de Arashi Beach, uma praia mais afastada e que não chegamos a conhecer, onde falésias na beira do mar reúnem muitos corais e espécies de peixes. Também neste ponto avistamos, em terra, o California Lighthouse, um farol que virou ponto turístico da ilha. Além do transporte em catamarã e equipamento para o mergulho, o pacote da Red Sail (link nos Sites de Referência) ofereceu almoço e open bar com Aruba Ariba por um preço muito honesto.

© Ticiana Giehl & Marquinhos Pereira

O snorkel em Aruba inclui navios afundados

Dia 6 – sexta, 18/03/2011

Escolhemos o penúltimo dia para juntar as moedas e alugar o jipe 1991 da pousada para conhecer um ponto imperdível de Aruba: Baby Beach. Partimos de manhã rumo ao extremo sul da ilha pela estrada que corta o país de ponta a ponta. No caminho, demos uma parada na minúscula capital, Oranjestad, localizada a penas 15 minutos de Palm Beach. Simpática e colorida, a cidade reúne prédios em estilo holandês, inclusive um shopping, e muitos, mas MUITOS free shops, que têm a fama de serem os mais baratos do Caribe. Como nosso negócio não é fazer compras, nos limitamos a uma caminhada e algumas fotos. Quem curte o ‘metier’, no entanto, não precisa se preocupar: há unidades da Victoria’s Secrets e todas as outras grifes internacionais que os brasileiros amam. De volta ao jipe, pegamos mais cerca de 1h30 de estrada não muito bem sinalizada até Baby Beach – além do mapa, foi preciso parar em alguns pontos e pedir informações. A praia é uma bacia formada por dois braços de pedras que fazem um semicírculo. Como a água fica quase represada ali dentro, é verde muito clara, calma e morna, tornando o lugar ótimo para crianças e para snorkel, embora não haja muita vida marinha. Infelizmente, as refinarias de petróleo que impulsionam a economia de Aruba fazem parte da paisagem. Alugamos palapas e cadeiras no único barzinho do lugar e só fomos embora quando o sol se escondeu e o vento se tornou mais frio do que agradável. Na volta, o pôr do sol nos acompanhou ao longo da estrada, até sumir em meio às nuvens que encobriam o horizonte.

© Ticiana Giehl & Marquinhos Pereira

As refinarias ao fundo não tiram a beleza de Baby Beach

Dia 7 – sábado, 19/03/2011

Escolhemos passar o último dia no nosso ‘cantinho’ em Palm Beach. Perdemos assim a chance de fazer o passeio até a Conchi, uma piscina natural que fica em um parque de acesso restrito no norte da ilha. Mas, para isso, seria necessário comprar um passeio de meio-dia que leva os turistas até o local de 4X4 e não voltaríamos a tempo de curtir uma praia. O preço também ficaria apertado em nosso orçamento e, embora seja descrita como ‘imperdível’, tivemos que deixar a Conchi para uma próxima oportunidade. Mas Palm Beach nos compensou, como em todos os dias da nossa estadia. Não é à toa que Aruba se autodenominou ‘One Happy Island’. Nenhuma outra frase poderia ser mais adequada. E à noite, é claro, voltamos ao Moomba para uma Balashi de despedida.

© Ticiana Giehl & Marquinhos Pereira

‘One Happy Island’, precisa dizer mais?

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Curaçao

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CLIMA: é tropical seco, o que garante um temperatura média de 27ºC durante o ano todo na ilha, refrescada por um vento constante. Os meses mais frios são janeiro e fevereiro e os mais chuvosos, de outubro a dezembro. Mas, mesmo nessa época, a precipitação é muito esparsa, e os dias de tempo ruim são raros.

FUSO HORÁRIO: uma hora a menos em relação a Brasília.

DOCUMENTOS: não é necessário apresentar visto prévio ou qualquer certificado de vacinação.

HOSPEDAGEM: a melhor decisão que tomei em nossa viagem a Curaçao foi não se hospedar em um all inclusive com praia particular, mas em uma pousada encarapitada nos rochedos do oeste da ilha. A All West Curaçao não tem recepção, nem ninguém que possa te atender no dia a dia – se precisar de algo terá que deixar um bilhete para a faxineira ou mandar um e-mail para o dono, que fica na escola de mergulho do mesmo nome não muito longe dali. Então, qual a grande vantagem de se hospedar lá? Você aluga um carro direto com a pousada, eles te buscam no aeroporto, te dão um mapa e te ensinam como ir até a capital, Willemstad, para fazer compras e, depois, até a região da All West, onde não existem bares ou mercados (por isso é preciso chegar lá já abastecido). A pousada está localizada sobre um rochedo e, abaixo dele, o inacreditável azul fluorescente do mar do Caribe. Todos os apartamentos tem cozinha e uma BIG sacada, com mesas e espreguiçadeiras para você assistir de camarote a um dos mais belos pores do sol do mundo. Além disso, a All West está no coração da chamada Westpunt, a região das praias mais paradisíacas da ilha. Por isso, você não leva mais do que 45 minutos para chegar a qualquer uma delas.

COMO SE LOCOMOVER:
A pé – ao contrário de Aruba, é impossível contar apenas com as próprias pernas para conhecer Curaçao. Todas as praias são afastadas umas das outras e é preciso pegar a estrada para se deslocar.
Transporte público – os ônibus são precários e esparsos, vimos pouquíssimos circulando pela região das praias.
Táxi – não utilizamos, mas eles devem existir na capital, Willemstad. Mesmo assim, ela fica longe das praias e uma corrida não deve sair barata.
Carro – não há como ir a Curaçao sem carro, a não ser que você se hospede em um resort all inclusive e só pretenda sair de lá em passeios guiados. Isso porque, quem se hospeda em Willemstad precisa de uma hora de estrada para chegar às praias, e quem se hospeda nas praias não tem como circular entre elas sem um veículo ou buscar mantimentos na cidade.

SITES DE REFERÊNCIA:
Mochileiros – Aruba, Barbados e Curaçao
InselAir
Dolphin Academy
Curaçao Tourist Board

ROTEIRO:

Dia 1 – domingo, 20/03/2011

Chegamos ao aeroporto de Curaçao vindos da vizinha Aruba, a bordo de um teco-teco que tinha até rasgo no teto colado com esparadrapo. O dono da pousada que havíamos reservado já nos esperava, com o carro que alugaríamos naquela semana, e nos explicou como chegar até ela. Seguimos as instruções e fizemos o trajeto de uma hora pela estrada asfaltada, mas simples, até a região conhecida como Westpunt, onde estão as praia mais bonitas do país. A pousada ficava pendurada em um penhasco sobre o mar e a vista nos deixou boquiabertos logo de cara. Mas havia um probleminha: NENHUM mercado, mercadinho, restaurante, bar ou qualquer lugar para conseguir comida por perto. Voltamos ao carro e decidimos ir até a capital, Willemstad, embora só tivéssemos um mapa rudimentar da ilha nas mãos. Mais um hora de estrada e algumas curvas erradas depois, chegamos à cidade. Já passando mal de fome, comemos no primeiro McDonalds que encontramos aberto, mas, para nossa decepção, isso era a única coisa que funcionava por lá no domingo. Sem encontrar onde comprar comida, pelo menos aproveitamos para conhecer os dois ‘lados’ de  Willemstad, que é dividida por um canal. Cada margem – Otrobando e Punda – é ligada por duas pontes. Uma delas, moderna e gigantesca, serve para a travessia diária de veículos e proporciona uma linda vista de toda a capital lá em baixo. A outra é a famosa ponte flutuante, onde se pode cruzar apenas a pé e que foi preservada mais como atração turística. A estrutura foi construída sobre uma série de barcos, que a movem para a passagem dos navios (é divertido ficar sobre ela quando o alarme soar e se mover junto). Também fica na beira do canal outro cartão postal da cidade: o casario colonial holandês. Os prédios do início do século XVIII são pintados em todas as cores do arco-íris e foram tombados pela Unesco. Vimos também vários restaurantes e bares e planejamos retornar uma noite para comer ali. Mas precisávamos resolver o problema da comida naquele momento, e voltamos à estrada. Na saída da cidade, já na rodovia novamente, finalmente encontramos um supermercado grande e aberto no domingo. Compramos tudo o que seria necessário para aquela semana e voltamos, exaustos, para uma merecida noite de sono em Westpunt.

© Ticiana Giehl & Marquinhos Pereira

Se hospedar em Westpunt é garantia de vistas exuberantes

Dia 2 – segunda, 21/03/2011

Acordamos cedo, tomamos café da manhã na varanda sobre um estonteante mar azul e pegamos a estrada em busca da primeira praia do nosso roteiro: Groote Knip ou Playa Abaou. Ao contrário da maioria das praias de Curaçao, esta não é privatizada e não é preciso pagar entrada. Algumas palapas – os guarda-sóis típicos feitos de palha – ficam distribuídos pela area à disposição de quem chegar primeiro. O lugar é belíssimo, uma baía de areia calcária muito branca encravada em meio a dois rochedos. O mar é de um azul fluorescente como eu não havia visto em nenhum local do Caribe. Experimentamos o snorkel, mas não havia vida marinha para ver ali, talvez devido às águas agitada. Nosso programa se ‘limitou’ a tomar banho de sol e de mar diante de tanta beleza. Na volta, paramos em outra praia, a Jeremi. A minúscula enseada apertada entre rochedos era propagandeada como o palco para o melhor pôr do sol da ilha. E foi mesmo. O astro rei desceu exuberante bem no meio das águas tingidas de laranja enquanto as águas mansas banhavam nossos pés, numa visão inesquecível. O programa da noite foi beber cerveja gelada e comer sanduíches ouvindo o mar bater lá embaixo do penhasco da pousada. E gostamos tanto daquela quietude que só saímos uma vez durante toda a estada para jantar.

© Ticiana Giehl & Marquinhos Pereira

Fama de melhor pôr do sol é comprovada em Jeremi

Dia 3 – terça, 22/03/2011

Lá fomos nós para a terceira praia do roteiro, esta eleita por muitos como a melhor de Curaçao. Cas Abao é privada, com um estacionamento gigantesco à disposição, cadeiras e guarda-sóis para alugar e um bar excelente, que vende lanches e almoços. Tudo é pago à parte, desde a entrada até os equipamentos e a comida, mas a estrutura vale a pena. Pegamos um lugar bem na beira das águas em vários tons de azul turquesa e ali passamos um dia memorável, regado a cerveja gelada (Heineken e Amstel) e petiscos holandeses. Além de ficar vendo o mar estonteante, o que é quase impossível deixar de fazer, Cas Abao é ótima para horas sem fim de snorkel e oferece uma plataforma flutuante em que é possível se atirar ao sol no meio do oceano quando o fôlego acabar.

© Ticiana Giehl & Marquinhos Pereira

O píer flutuante de Cas Abao é para esquecer do mundo lá fora

Dia 4 – quarta, 23/03/2011

Se Cas Abao é toda em tons de azul, a cor da Playa Porto Mari é o verde. Embora seja bem mais ‘apertada’ que a vizinha, ela é igualmente linda e, também privada, oferece praticamente a mesma estrutura. A diferença é que, em vez de uma plataforma flutuante, em Porto Mari há um píer. Mas gostamos mais do snorkel ali, mais do que em qualquer praia do Caribe, pois as águas cristalinas são super rasas e os peixes coloridos vão até a beira do mar, em bandos, às vezes cercando e seguindo as pessoas, já que estão acostumados com os turistas que dão comida para atraí-los. O fim do dia trouxe algumas nuvens e acabamos saindo de lá antes do fim da tarde, já que água ficou muito fria para mergulhar. Voltamos a tempo de assistir ao pôr do sol da nossa varanda: nada nos separava do horizonte onde a bola de fogo mergulhava, e fizemos muitos brindes àquela belíssima visão.

© Ticiana Giehl & Marquinhos Pereira

As águas verdíssimas de Porto Mari oferecem o melhor snorkel

Dia 5 – quinta, 24/03/2011

Tínhamos mais dois dias para programas livres em Curaçao e decidimos que não íamos explorar novas praias, mas aproveitar bem aquelas que haviam nos encantado. Por isso voltamos a Cas Abao para mais mar azul turquesa e preguiça na plataforma flutuante. À noite, fomos a Willesmtad para ver um pouco de gente . Bebemos drinks coloridos com o famoso rum verde da ilha e jantamos no Iguana Cafe. Localizado bem na beira do canal, o local nos proporcionou uma bela vista do casario holandês e da ponte flutuante iluminados.

© Ticiana Giehl & Marquinhos Pereira

As casas coloridas da capital são tombadas pela Unesco

Dia 6 – sexta, 25/03/2011

Além de praias paradisíacas, Curaçao tem um centro de referência no treinamento de golfinhos, a Dolphin Academy, que fica ao sul de Willemstad. Pela internet, havíamos reservado previamente um dos ‘encontros’ com esses animais (o link está nos Sites de Referência). Escolhemos fazer snorkel no tanque, pois em águas abertas o preço era muito alto. O local fica dentro do Sea Aquarium – que reúne diversas espécies marinhas em tanques – e chegamos cedo por medo de errar o caminho. Junto com os outros participantes do ‘encontro’, fomos orientados a como tratar os golfinhos e os cuidados a tomar, pois, apesar de parecerem fofos, eles podem se tornar perigosos ao se sentirem ameaçados. Em seguida, fomos levados ao tanque com o material de snorkel e apresentados aos animais. É possível acariciá-los, nadar agarrando suas barbatanas e até mesmo ganhar um ‘beijinho’. Não é permitido levar câmera, e o custo das fotos é bem salgado, por isso optamos por ficar apenas com o DVD e dele extrair as imagens deste programa que considero imperdível para quem for ao país. Ainda passeamos pelas instalações do Sea Aquarium e vimos os coloridos flamingos típicos da ilha antes de sair. Passamos o resto do dia na Sea Aquarium Beach, que fica ao lado. Privada, ela é formada por um braço de mar entre rochedos que o separam do oceano aberto. As águas são calmíssimas e agradáveis, e a praia é simpática, cheia de coqueiros, bares e restaurantes.

© Ticiana Giehl & Marquinhos Pereira

Mergulhar com golfinhos é diversão garantida para crianças e adultos

Dia 7 – sábado, 26/03/2011

Aproveitamos nosso último dia na ilha voltando a Porto Mari para a derradeira dose de sol, mar em mil tons de verde e snorkel. No fim da tarde, tomamos banho lá mesmo e, já com as malas dentro do carro, partimos rumo ao aeroporto levando na memória algumas das imagens mais belas das nossas vidas.

© Ticiana Giehl & Marquinhos Pereira

Nenhuma atividade é mais prazerosa em Curaçao do que olhar o mar

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Rio de Janeiro (RJ)

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CLIMA: o ano pode ser dividido em duas estações na cidade do Rio – uma quente e relativamente chuvosa, e outra de temperaturas amenas e seca. Os verões são marcados por dias quentes e úmidos, não raramente ultrapassando a barreira dos 40°C em pontos isolados. Janeiro é o mais quente do ano, quando as temperaturas médias máximas e mínimas são de 29°C e 23°C. Já os invernos apresentam-se amenos e com regime de chuvas mais restrito, sendo que os termômetros raramente ficam abaixo dos 10°C. Julho é o mês mais frio, com médias máxima e mínima de 24°C e 17°C. As chuvas concentram-se nos meses de dezembro, janeiro, fevereiro e março, tornando-se mais esparsas no período de junho a agosto.

COMO CHEGAR: não é preciso dizer que o melhor meio de se chegar ao Rio é de avião, já que a cidade é abastecida por dois dos aeroportos mais movimentados do País, sendo um deles internacional. Mas para quem pretende ir de carro ou ônibus, aqui vão as dicas. De São Paulo, são 460 km, e de Belo Horizonte, 430 km, o que equivale a uma viagem de cerca de cinco horas partindo de ambas as capitais. Da paulista, o caminho é feito pela rodovia Ayrton Senna (SP-070), onde são percorridos cerca de 120 km, e segue pela rodovia Presidente Dutra (BR-116), para mais 300 km. Da mineira, o trajeto é pela BR-040, passando por cidades como Barbacena, Juiz de Fora e Petrópolis. A partir de Duque de Caxias, são mais 20 km em perímetro urbano. Além disso, as duas cidades têm saídas diárias de ônibus para o Rio nos mais diversos horários.

HOSPEDAGEM: já fui seis vezes ao Rio, mas cheguei à conclusão de que não tenho nenhuma dica matadora de hospedagem a oferecer. Em três delas, fiquei nos hotéis da rede Othon, que não é muito acessível em termos de preço, localizados em Copacabana. O Savoy Othon Travel fica a algumas quadras do mar e oferece quartos confortáveis e equipados com tudo que se exige de um hotel dessa categoria. Já o Rio Othon Palace, localizado na beira-mar, tem uma vista deslumbrante e serviço impecável, tudo fazendo jus ao preço exorbitante das diárias. Essas são minhas recomendações para quem vai à Cidade Maravilhosa com o bolso bem recheado. Para quem não, só posso falar de opções longe das praias famosas. Em uma de minhas viagens, aluguei um apartamento particular no Catete,  o que foi bom pela localização – acesso fácil ao metrô e curtas distâncias de táxi dos aeroportos – mas não me adaptei porque, como não é um serviço profissional, houve problemas como desencontro para a entrega das chaves. Mas não deixe de considerar o bairro. E por, último, o Hercus Hostel Santa Teresa, que oferece as mesmas vantagens geográficas do Catete – além de ficar a duas quadras dos Arcos da Lapa e do âmago da boemia carioca – com quartos e instalações bem simples, embora organizadas e razoavelmente limpas. Vale muito se o que você procura for custo/benefício.

COMO SE LOCOMOVER:
Táxi – é a melhor escolha diante do transporte público ineficiente. A oferta é grande e as distâncias dos principais pontos turísticos não são longas. Além disso, o preço não é alto, pelo menos se comparado a São Paulo.
Transporte público – é uma das áreas mais deficientes do Rio de Janeiro. Os ônibus demoram a passar mesmo em dias de grandes eventos na cidade, podem estar lotados se passam por pontos turísticos, e motoristas e cobradores muitas vezes não sabem dar informações ou mesmo destratam os visitantes. O metrô pode ser uma opção, mas o trajeto é limitado do centro às principais praias, sendo que alguns trechos estão fechados por conta das obras de expansão.
Carro – é uma opção para que gosta de dirigir ou já conhece bem o Rio, mas é preciso lembrar que, como em toda cidade grande no Brasil, há engarrafamentos nos horários de pico – inclusive para ir à praia nos domingos -, grande dificuldade para estacionar em locais de maior movimento e flanelinhas a pagar.
A pé – é possível caminhar entre bairros próximos, como de Copacabana a Ipanema e desta para o Leblon.

SITES REFERÊNCIA:
Guia do Rio
Guia Melhores Destinos – Rio de Janeiro
Trem do Corcovado
Bondinho do Pão de Açúcar
EAV Parque Laje

ROTEIRO*:

Dia 1 – sábado, 19/11/2011

O dia não amanheceu exatamente como se espera no Rio: o dia estava nublado e alguns pingos de chuva caíam sobre os nossos narizes. Mas decidimos seguir o programa original e ir até a praia de Copacabana, de onde caminhamos pelo calçadão até o Forte. Sem sol, as atrações foram os vendedores de biquínis e chapéus, as esculturas de areia e pedra e muita água de coco. A ideia era tomar o café da manhã na filial da confeitaria mais famosa do Rio, a Colombo, mas não contávamos com uma fila tão grande na entrada e acabamos desistindo da refeição. Aproveitamos o ponto estratégico da construção militar para ótimas fotos da praia com o Pão de Açúcar ao fundo. Ali acaba Copacabana e seguimos pela rua contígua para chegar à vizinha Ipanema. Entre as duas está o Arpoador, onde fizemos mais uma paradas para registrar imagens, desta vez com o morro Dois Irmãos ao fundo, numa das paisagens mais características da cidade. Cansados de bater perna, decidimos aproveitar aquilo que o Rio tem de melhor: escolher uma ‘barraca’ e alugar cadeiras para tomar caipirinha na beira da praia. À noite, fomos ao Boteco Belmonte, que tem bares em ambas as praias, para comer e beber muito bem. As dicas são a empada aberta de qualquer sabor e o pastel de camarão com queijo brie e alho poró. Tudo regado com a espumante e cremosa Brahma Black.

© Ticiana Giehl & Marquinhos Pereira

Ipanema com o Dois Irmãos ao fundo é uma das images mais registradas

Dia 2 – domingo, 20/11/2011

Domingo é dia da tradicional Feira Hippie de Ipanema, e fomos para lá mesmo debaixo de muita chuva. São dezenas de bancas que se instalam na Praça General Osório desde 1968 para vender desde quinquilharias turísticas até produtos em couro e pedra bem elaborados. Abastecidos de lembrancinhas para levar para casa, fomos almoçar no restaurante Delírio Tropical, a poucas quadras da feira e da praia. A comida natural é deliciosa e não muito cara. De Ipanema, pegamos um ônibus que nos deixou aos pés do maior símbolo da cidade: o Cristo Redentor. Na época da viagem, bastava chegar na bilheteria e compra o ticket para subir o morro com o trenzinho, mas hoje é necessário fazer isso previamente pela internet (o link está nos Sites de Referência). A estrada de ferro de 1884 é a maneira mais fácil e divertida de chegar ao topo do Corcovado, e tiramos fotos feito crianças deslumbradas. Lá em cima foi necessária uma boa dose de paciência, pois o tempo ruim insistia em tapar completamente o monumento mais famoso do Brasil. Depois de uma hora, estávamos quase desistindo quando o vento começou a soprar e levou as nuvens embora. Conseguimos boas imagens do Cristo e das paisagens vistas de suas sacadas, ainda beneficiados pelo fato de a chuva ter espantado um pouco os turistas. Satisfeitos, descemos e pegamos um táxi para o Pão de Açúcar. Subimos por volta das 18h30 e a meia luz do entardecer tornou o passeio inesquecível. Subimos devagar, aproveitando o longo descer do sol no horário de verão e apreciando todos os ângulos dos mirantes do primeiro morro, o da Urca, e do segundo, que é o Pão de Açúcar propriamente dito. Apesar do preço astronômico, pedimos uma caipirinha no restaurante do local e sentamos em uma das mesinhas para assistir ao espetáculo. Vimos os últimos raios de sol baixarem por trás do Cristo e as luzes da cidade se acenderem aos nossos pés.

© Ticiana Giehl & Marquinhos Pereira

Um inesquecível anoitecer do alto do Pão de Açúcar

Dia 3 – segunda, 21/11/2011

Apesar do belo entardecer do dia anterior, o terceiro dia voltou a amanhecer sob chuva intensa. Não havia outro remédio se não ir a um shopping. Escolhemos o Rio Sul, um dos maiores e mais tradicionais da capital carioca. Ainda com tempo feio, mas cansados de vitrines e do lugar fechado, aproveitamos uma trégua no aguaceiro para sentar em um dos bares que ficam no calçadão de Copacabana e tomar choppe acompanhado de petiscos. Foi a sorte, porque com a proximidade do fim do dia o vento novamente levou as nuvens embora e tivemos tempo para chegar até a Pedra do Arpoador, o lugar favorito de 10 entre 10 cariocas para ver o pôr do sol. Enquanto o astro rei não descia, aproveitamos para tirar fotos panorâmicas dos Dois Irmãos e de Ipanema inteira. O sol desce sobre os montes, e não sobre o mar, mas ainda assim é uma bela visão, seguida pelas luzes das favelas iluminando os morros. À noite, fomos comer na famigerada pizzaria Guanabara, frequentada por muitos atores globais e tradicionalíssima na noite carioca. Mas o único famoso ali que nos interessava era a comida, que, apesar de saborosa, não era nada excepcional.

© Ticiana Giehl & Marquinhos Pereira

A Pedra do Arpoador tem vista panorâmica e pôr do sol

Dia 4 – terça, 22/11/2012

Finalmente o sol apareceu 100%, e levantamos cedo para aproveitar nossa última manhã na cidade maravilhosa. Não quisemos ir muito longe e nos atiramos ao sol em Copacabana mesmo, tendo como pano de fundo o belo hotel Copacabana Palace, outro símbolo da capital fluminense. Caminhamos até a praia do Leme – a ponta oposta ao Forte de Copacabana -, bebemos caipiras e comemos petiscos para não perder tempo almoçando. Tudo para curtir cada minutinho que o Rio de Janeiro ainda tinha a nos oferecer.

© Ticiana Giehl & Marquinhos Pereira

A mais tradicional paisagem do Rio nunca perde seu encanto

Dia 5 – sábado, 21/09/2013

Pouco menos de um ano depois, estávamos desembarcando novamente no Rio de Janeiro. Acordamos tarde e almoçamos no Belmonte de Ipanema para matar as saudades da empada aberta e do pastel de camarão com queijo brie e alho-poró. Dedicamos a tarde para conhecer um parque que havia se tornado hit na cidade nos últimos meses, o Lage. Localizado aos pés do Cristo, próximo ao bem mais concorrido Jardim Botânico, o local é uma ilha verde e fresca em meio ao calor carioca. O parque era o antigo jardim romântico de um casario que data do século passado. A construção continua lá, hoje abrigando espaços para exposições e um restaurante que fica ao redor da piscina no pátio interno. Os horários das refeições são disputadíssimos, por isso a pedida é só pegar algumas cervejas geladas para beber na área de piqueniques ou caminhando em meio aos canteiros, lagos, grutas e até um mini aquário da propriedade. Para os mais dispostos, sai dali uma trilha que vai até o topo do Corcovado numa caminhada de duas horas. Preferimos guardar nossas energias para a noite carioca, que nos sábados acontece na Lapa. Depois da parada obrigatória para fotos com os arcos iluminados, escolhemos o Bar Ernesto pelo bom samba que se ouvia da calçada e ar condicionado potente. A noite passou voando entre petiscos e muitos chopes gelados.

© Ticiana Giehl & Marquinhos Pereira

O Parque Lage está localizado aos pés do Cristo

Dia 6 – domingo, 22/09/2013

Tomamos café da manhã como bons cariocas, bebendo mate gelado perto do Palácio do Catete, bairro onde estávamos hospedados. Escolhemos uma praia diferente para passar o domingo: a Vermelha, uma curta faixa de areia aos pés do Pão de Açúcar. Por ser fim de semana, o local estava lotado, mas a vista de um dos principais pontos turísticos do Rio passando sobre nossas cabeças e o antigo forte sobre a pequena baía – transformado em restaurante – o tornam muito bonito. Apesar dos atrativos, a maré subiu rápido com o avanço da tarde e espantou muita gente, inclusive nós. Antes de partir, mais uma passadinha no Belmonte para uma última empada e um brinde de caipirinha na despedida da Cidade Maravilhosa.

© Ticiana Giehl & Marquinhos Pereira

A Praia Vermelha se esconde sob o Pão de Açúcar

* Este roteiro foi escrito com base em duas viagens feitas em anos diferentes e que se complementam

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Santos e Guarujá (SP)

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CLIMA: os verões em Santos e região são muito quentes e úmidos, enquanto os invernos têm como característica temperaturas mais amenas e menor incidência de chuvas. Em julho, a média das mínimas é de 15°C e a das máximas,  30°C. Isso porque, mesmo na estação mais fria do ano, a cidade observa fortes ondas de calor causadas pela incidência de ventos provenientes do Noroeste que chegam a elevar as temperaturas acima dos 35°C. Já em janeiro, pleno verão, a média mínima é de 22°C e a máxima, de 34°C. É bastante comum, inclusive, ver os termômetros passarem os 35°C, podendo chegar na casa dos 40°C, o que torna a região da Baixada Santista um destino litorâneo por excelência.

COMO CHEGAR: para quem sai de São Paulo, são 79 km até Santos e 90 km até o Guarujá que podem ser percorridos de carro pelas rodovias Anchieta (SP-150) ou Imigrantes (SP-160). Quem segue diretamente para o Guarujá passa pela entrada de Santos e segue pela Cônego Domênico Rangoni, que une o continente à ilha. Quem vai para o Guarujá através de Santos precisa pegar a balsa que fica na Ponta da Praia. A rapidíssima travessia de 5 minutos só é paga na volta. Saindo de São Paulo de ônibus, é preciso se deslocar até o terminal Jabaquara, que integra com a estação de metrô do mesmo nome, na zona sul. Para Santos, as saídas ocorrem praticamente a cada 15 minutos e, para o Guarujá, há pelo menos dois carros por hora. Do Rio de Janeiro para Santos, são 507 km, numa viagem de aproximadamente 6h20 pela cênica Rio-Santos. Há ônibus diários em diversos horários a partir da Rodoviária Novo Rio. Saindo de Belo Horizonte, são cerca de 7h30 para percorrer os 650 km, segundo estimativa não oficial feita pelo Google Maps. O caminho é o mesmo que se percorre para chegar à capital – a viagem mais rápida se realiza pela BR-381, a rodovia Fernão Dias – escolhendo em seguida uma das estradas do sistema Anchieta-Imigrantes. Apenas um ônibus faz o percurso direto entre as duas cidades todos os dias, pela Viação Cometa.

HOSPEDAGEM: sempre fiquei na casa da família, mas acredito que possa recomendar o hotel Ibis Santos como uma boa opção de hospedagem, não só por já conhecer outros hotéis da rede, mas por sua localização. O prédio está a apenas uma quadra do melhor trecho de praia de Santos, a do Gonzaga. A Ibis é uma rede mundial de hotéis de baixo custo do grupo Accor, oferecendo aos hóspedes preços razoáveis por quartos pequenos e limpos, com café da manhã pago à parte. Infelizmente, não tenho dicas para quem gostaria de se hospedar diretamente no Guarujá, mas as opções são inúmeras em todas as praias.

COMO SE LOCOMOVER:
Táxi – Santos é uma cidade grande e há táxis por todos os lados. Os preços seguem o alto padrão de São Paulo, mas as distâncias são bem menores. No Guarujá, pode ser mais difícil encontrar um se você optar por se hospedar em alguma das praias isoladas, mas nas centrais, como Astúrias, Pitangueiras e Enseada, vale a mesma máxima de Santos.
Carro – é a melhor alternativa, principalmente para se locomover até cidades vizinhas a Santos, como São Vicente e Guarujá, ou, para quem já está hospedado na última, circular por seus muitos quilômetros de praia (algumas das melhores estão a 25 quilômetros do centro!). Não há engarrafamentos fora da temporada de verão, mas pode ser difícil estacionar em alguns lugares mais movimentados. Já em feriados prolongados, prepare-se para trânsito complicado e longas filas de espera na balsa Guarujá/Santos (vá o mais cedo que puder).
Transporte público – há ônibus para todos os pontos turísticos deste roteiro. Mas, como todos no Brasil, eles podem demorar mais a passar nos finais de semana ou estar lotados se forem a algum evento especial, como um jogo de futebol.
A pé – modo perfeito de circular por bairros próximos, como os que ficam à beira da praia, ou no centro da cidade.

SITES DE REFERÊNCIA:
Guia de Santos
Guia Guarujá
Comunidade vive ‘isolada’ há mais de um século em Guarujá (G1)
Praia ‘secreta’ de Guarujá oferece mar e cachoeira ao mesmo tempo (G1)

ROTEIRO*:

Dia 1 – sexta, 15/11/2013

Não há como ir a Santos sem pensar em passar uma manhã ou tarde nos seus 7 km de praias. Por isso, as areias em frente ao bairro Gonzaga foram nosso primeiro destino na cidade. Além da beira do mar em sí, outra atração é o maior jardim de orla marítima do mundo, segundo propagandeia a prefeitura. O feito estaria inclusive registrado no livro dos recordes, o Guinness Book. Tamanho à parte, o calçadão é realmente muito bonito e agradável, mas deixamos para caminhar por ele mais tarde, quando o sol baixasse. Sentamos na área logo em frente à Praça das Bandeiras, adornada com as flâmulas do nome e um simpático chafariz. A chamada Praia do Gonzaga é bem central e emoldurada por belos hotéis e prédios. Uma vez na areia, escolhemos uma ‘barraca’, alugamos as cadeiras e o guarda-sol, pedimos caipiras e deixamos o tempo passar. A única coisa que desagradou foi a sujeira que fica na beira do mar, já que a movimentação de pessoas é muito grande – principalmente em alta temporada – e as equipes de limpeza só passam no fim do dia. Foi esta a hora que escolhemos para então conhecer o famigerado jardim da orla. São 815 canteiros muito bem conservados e floridos, por onde é possível caminhar ou andar de bicicleta. Aproveitando o frescor do início da noite, caminhamos até a Feirinha de Artesanato da cidade, que acontece aos sábado e também oferece inúmeros lanches. Pegamos um mate gelado e voltamos andando pela areia, muito bem iluminada e segura. O dia já estava delicioso e ainda fomos brindados por uma lua gigantesca que surgiu por detrás dos prédios da orla. Para a noite, escolhemos um dos lugares mais tradicionais de Santos. O Bar do Toninho, no bairro do Embaré, é simples, barato, descontraído e famoso pelo seu pastel. E o melhor: fica aberto até altas horas da madrugada.

© Ticiana Giehl & Marquinhos Pereira

Santos tem 7 km de praias para curtir um dia de sol

Dia 2 – sábado, 16/11/2013

Dedicamos nosso segundo dia para explorar o centro histórico de Santos. Começamos o tour pelo Monte Serrat, onde é possível subir pela escadaria de 402 degraus ou pelo bondinho que sai a cada 20 minutos. Escolhemos a segunda opção para chegar até o alto dos 157 metros, onde está localizado o Santuário de Nossa Senhora do Monte Serrat, padroeira da cidade. Lá em cima estão duas atrações. Uma delas é a capela que data de 1603, e a outra é a bela vista de toda a cidade, alcançando até o oceano. De volta ao nível do mar, fomos até a Bolsa Oficial de Café, prédio de 1922, quando Santos era ‘a maior praça cafeeira do planeta’. Por fora o lugar já vale fotos, com seus 6 mil m² e mais de 200 portas e janelas. Queríamos fazer a visita interna também, mas, na recepção, descobrimos que aos domingos a entrada é franca e decidimos voltar no dia seguinte para economizar o valor do ingresso. A três quadras dalí, na Praça Mauá, almoçamos pastel sequinho e cerveja gelada no tradicionalíssimo Café Carioca, enquanto esperávamos a próxima saída da Linha Turística de Bonde. Veículos orginais reformados percorrem, a cada meia hora, as principais ruas e edifícios do centro histórico, como o Outeiro de Santa Catarina, o Palácio Saturnino de Brito, o Corpo de Bombeiros de Santos – que hoje abriga a Câmara Municipal, a britânica Estação de Trem do Valongo e os armazéns do cais do porto. O passeio, com explicações de um guia turístico muito bem humorado para quem estava trabalhando em pleno feriadão, dura 40 minutos e é uma boa pedida para escolher quais pontos turísticos valem a volta para uma visita à parte. Decidimos retornar ao Panteão dos Andradas, onde estão os túmulos de José Bonifácio de Andrada e Silva, o ‘Patriarca da Independência’, e de seus irmãos; ao Conjunto do Carmo, que reúne duas igrejas barrocas, mas que, infelizmente, estava fechado; à Casa do Trem Bélico, antigo armazém de guerra colonial transformado em museu que reúne uma pequena coleção de armas; ao prédio da prefeitura, onde se encontra o segundo maior lustre da América Latina; e à Casa da Frontaria Azulejada, de 1865, cuja atração é a fachada de azulejos em alto-relevo importados de Portugal. A tarde ia caindo e voltamos à beira da praia para ver o pôr do sol. Dependendo da época do ano, ele ocorre nos morros em meio ao mar e fica belíssimo. Foi o que aconteceu naquele sábado e registramos fotos incríveis! Com o céu e o mar se fundindo em tons de rosa e laranja, andamos até o chamado ‘Centro de Paquera do Embaré’, ou CPE, onde vários quiosques oferecem lanches variados até o amanhecer. O local fica no calçadão à beira-mar em frente à Paróquia Santo Antônio do Embaré e apreciamos alguns minutos da missa que ocorria na simpática igreja, cuja fachada lembra a de Notre Dame, numa proporção muito menor, é claro. ‘Abençoados’, escolhemos um dos quiosques para beber caipirinha refrescante enquanto anoitecia. Mais tarde, para fechar o dia, fomos jantar no Bodegaia. Além de ter uma ampla carta de bebidas, o bar oferece petiscos e pratos deliciosos, alguns deles servidos na telha. A mandioca gratinada com calabresa é sensacional, assim como a caipira de caju e tequila.

© Ticiana Giehl & Marquinhos Pereira

Em alguns meses do ano, Santos oferece um belo pôr do sol no mar

Dia 3 – domingo, 17/11/2013

O domingo amanheceu sob chuva forte, o que estragou nossos planos de fazer um passeio de escuna pela Baía de Santos. Ficou anotado para uma próxima visita. Nos restou fazer os passeios ‘in door’. Como havíamos planejado no dia anterior, voltamos ao centro da cidade para visitar gratuitamente a Bolsa Oficial do Café e seu museu. Começamos a visita tomando um – SURPRESA! – café delicioso na cafeteria especializada que fica logo na entrada do prédio e exibe um cardápio com diversas fórmulas da bebida. Recomendo o ‘havaiano’, feito com leite de coco. Além do precioso líquido, a sala do pregão é a principal atração, com o mobiliário em madeira preservado desde a década de 1920. Também adornam o salão um vitral e três painéis de Benedicto Calixto. No museu estão objetos usados no cultivo e venda do café desde a fundação da cidade, assim como diversas imagens históricas. Encerrada a visita, nos deslocamos até a Ponta da Praia, onde fica o segundo parque público em visitação no estado de São Paulo. É o Aquário Municipal que, por uma entrada baratíssima de R$ 5,00, oferece uma atração mais divertida para as crianças do que os adultos. Bem menor que o da capital – cujo ingresso equivalentemente custa oito vezes mais! -, o local aparentava necessidade de reformas, o que estava sendo feito em alguns tanques. Apesar disso, há um leão-marinho, peixes amazônicos gigantescos, tubarões, pinguins e um belo tanque circular para apreciar. Fechamos nosso dia chuvoso com petiscos e cerveja no Terraço, um restaurante panorâmico localizado no alto da Ilha Porchat, já na praia vizinha de  São Vicente. De lá há uma bela vista para a Baía de Santos, e encerramos nossa viagem brindando sobre a orla iluminada lá embaixo.

© Ticiana Giehl & Marquinhos Pereira

Vitral de Benedicto Calixto é destaque na Bolsa de Café

Dia 4 – sexta, 19/04/2014

Deixando a preguiça de lado, acordamos cedo para percorrer a avenida beira-mar de Santos até a Ponta da Praia, de onde saem as balsas para a cidade vizinha de Guarujá. Em feriados prolongados, este é o único jeito de evitar muita espera para entrar na embarcação e fazer a loooooonga travessia de… 2 minutos. É sério! E custa R$ 10! Uma vez do outro lado, passamos reto pelas areias mais famosas e badaladas do local, como as praias de Astúrias e Enseada, e seguimos pela estrada de Bertioga até o morro do Sorocotuba, alguns quilômetros à frente. Passando o arco de entrada é só ir subindo e seguindo as placas até encontrar um monte de carros estacionados. Da beira do asfalto, você desce por uma rápida trilha até a praia do Éden. A pequena enseada abriga areia grossa, pedras, mar verdinho e calmo, um único bar e… muita, muita gente! Havíamos ido até lá em busca de um lugar mais isolado, mas, infelizmente, o Éden já foi descoberto pelos turistas de feriadão. Não havia mais sequer lugar para sentar à sombra das árvores, e tivemos que aguentar o sol torrando o lombo na base de muito protetor. Nossa maior sorte foi ter levado um cooler com comida e bebida já que, como só existe um bar no local, ele cobra o quanto quiser. Mas nem a cerveja quente no fim do dia, nem o pessoal jogando frescobol na faixa de areia minúscula, nem o som alto, nem o lixo, nem toda a ‘muvuca’ do mundo são capazes de tirar a beleza desta praia. Então encaramos, até o sol baixar, e prometemos voltar ao Éden em um fim de semana comum para estender a canga na beira da Mata Atlântica e ouvir as ondas na companhia apenas de Adão e Eva, com o perdão do trocadilho.  

© Ticiana Giehl & Marquinhos Pereira

A bela praia do Éden pode ficar bem ‘muvucada’ na alta temporada ou feriadões

Dia 5 – sábado, 20/04/2014

Nossa segunda parada no Guarujá – depois de percorrer o mesmo trajeto de balsa do dia anterior – foi em uma praia aberta e de livre acesso, a do Tombo. Como o próprio nome diz, ali as ondas são fortes e os surfistas se arriscam no mar, enquanto nossa ousadia só nos permitiu alugar um guarda-sol e sentar pertinho dele. Próxima às colegas mais famosas da cidade – as areias da Enseada e de Astúrias – a orla do Tombo ainda não foi tomada por prédios e coberturas bacanas. O calçadão que circunda a ampla faixa de areia é adornado por bares e restaurantes com varandas de onde é possível petiscar e beber à sombra sem perder a vista. E a paisagem ao redor é bonita, cercada por morros cobertos de Mata Atlântica que fazem o contraste perfeito entre o verde e o azul do céu. Além das atividades praianas costumeiras, também é possível caminhar do Tombo até o Forte dos Andradas (siga as placas no calçadão), um dos muitos que guardavam a região na época do Brasil Império e que, agora, serve de refúgio presidencial. Mas nosso espírito era descansar ao sol mesmo e, além de uma curta caminhada molhando os pés na água quentinha, não fizemos nada além de conversar e tomar caipirinha esticados na areia. Voltamos a Santos para o almoço de Páscoa no famoso Ao Chopp do Gonzaga, um dos restaurantes mais renomados da cidade e localizado no bairro do mesmo nome, em plena movimentada avenida Ana Costa. Nos finais de semana, é melhor só aparecer pelas 16h se não quiser enfrentar a lista de espera. Provamos o espeto de chorizo, feito à moda argentina, com linguiça calabresa. O prato serve três pessoas com os acompanhamentos e foi bem regado a chope Baden Baden. Para finalizar o dia, comparecemos ao evento mais característico da cidade: não é possível dizer que você conhece Santos sem ver o ‘Peixe’ entrar em campo! Assistimos a uma partida do Campeonato Brasileiro na lendária Vila Belmiro, mas, para quem se contenta com a foto do lado de fora, existe uma enorme loja do clube no estádio, onde é possível comprar todo tipo de lembranças. Infelizmente, o Coelinho da Páscoa não levou de presente para o Marquinhos a vitória desejada, mas o saldo final do dia foi altamente positivo!

© Ticiana Giehl & Marquinhos Pereira

A praia do Tombo agrada quem curte serviços aliados a uma dose de beleza

Dia 6 – domingo, 21/04/2014

Último dia do feriadão e estávamos determinados a evitar multidões! Jogamos no Google ‘praia isolada no Guarujá’ e chegamos ao nome de Iporanga. Localizada em meio à área de preservação ambiental da Serra do Guararu, essa praia fica dentro do condomínio residencial mais caro do Estado de São Paulo e só é permitido o acesso de 38 carros por dia. Por isso tivemos que pular cedo da cama: para  pegar a balsa e ainda percorrer os 25 quilômetros que separam o local do centro da cidade pela estrada para Bertioga (depois do quilômetro 19, entre na primeira à direita; ou pare e pergunte, pois não há placas indicativas). O esforço do despertador valeu a pena e conseguimos a senha de número 21. Passando a cancela, seguimos vitoriosos pela estrada de paralelepípedos que, por si só, já é uma atração. São quase 10 minutos de carro em meio à Mata Atlântica conservada e permeada por mansões cinematográficas.  Mantida pela Associação dos Proprietários do Iporanga, a praia só possui infraestrutura para os moradores e seus convidados, mas você pode entrar com sua cadeira, guarda-sol e cooler para fazer um lanche discreto – piqueniques são proibidos, assim como música e esportes. Essas regras de preservação – não só ambiental, como também da privacidade dos afortunados proprietários – tornam o local um paraíso para casais e famílias com crianças. Além da extensa faixa de areia limpíssima circundada por coqueiros e casas de babar, a enseada é ornada por morros e pedras, um mar verdinho agitado na ponta esquerda – onde ficam os surfistas – e calmíssimo na direita – onde a água é pontilhada por iates. Não bastasse, há ainda uma cachoeira que desce a montanha e proporciona o encontro das águas doce e salgada em plena praia. Enquanto a maioria dos visitantes e condôminos se concentravam nessa parte, a da direita e perto do acesso à Iporanga, escolhemos montar nosso pequeno acampamento no lado oposto, para curtir o banho de mar sem levar uma onda na cabeça e ‘namorar’ os barcos que balançavam mansamente sob sacadas de tirar o fôlego. Passamos um dia memorável sob o olhar de seguranças cuidadosos, o que nos permitia deixar as coisas na areia sem a menor preocupação. Só fomos embora quando o sol baixou e, já sendo abril, a temperatura não nos permitia mais ficar ao sabor do vento suave (ele bate mais forte na vizinha São Pedro, cujo acesso é feito pelo mesmo condomínio e também é controlado. Famosa entre surfistas, ela abriga até 70 veículos por dia). Deixamos em Iporanga uma vontade doida de voltar logo e, aqui, uma recomendação para que todos a conheçam!

© Ticiana Giehl & Marquinhos Pereira

É preciso chegar cedo para ser um dos 38 carros que terá acesso à praia de Iporanga

* Este roteiro foi escrito com base em duas viagens feitas em anos diferentes e que se complementam

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Paris

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CLIMA: a melhor época para viajar à França vai depender do que você quer ver lá. Durante todo o ano, o país desfruta de temperaturas amenas, sendo que pode haver muito sol ou muita chuva dependendo da época. Se a pedida forem as praias do sul, serão os meses de calor de julho e agosto quando a temperatura passa de 30ºC em Ajaccio ou Marselha. Mais ao norte, acaba ficando próxima dos 25ºC, como em Brest ou Deauville. Se for a neve, janeiro e fevereiro, embora raramente isso aconteça em Paris. A neve é abundante nos maciços montanhosos, como os Alpes, mas é mais rara nas planícies, encontrando-se essencialmente ao norte do rio Loire. Se a boa for caminhar em meio às famosas folhas douradas que cobrem os chãos europeus sem extremos de calor ou frio, o ideal é o outono, entre setembro e outubro, embora ele seja chuvoso. Na primavera, o termômetro depressa passa acima dos 20ºC no sul e, depois de maio, todos os franceses passeiam pelas ruas de camiseta. Paris geralmente tem verões quentes e invernos frios, com chuvas bem distribuídas ao longo do ano. Os invernos são curtos, podendo ser leves e chuvosos quando sopram os ventos úmidos e quentes do oceano Atlântico; ou, quando sopram os ventos do leste ou Polo Norte, as temperaturas mínimas chegam até -10°C. O verão é caracterizado pela extrema variabilidade climática, podendo ter dias quentes e abafados, com temperaturas máximas superiores a 35°C, e dias frios, ventosos e chuvosos com temperaturas mínimas em torno de 10°C. A primavera e o outono são geralmente amenos, sendo as noites frias. No inverno, as temperaturas mínimas médias variam entre 2°C e 3°C, enquanto as máximas ficam entre 7°C e 8°C. Os meses relativamente secos são aqueles que vão de fevereiro a abril, sendo que chove uma média de 111 dias em um ano.

FUSO HORÁRIO: quatro horas a mais do que o horário de Brasília.

DOCUMENTOS: não é necessário visto prévio para turismo nos países da chamada Zona Schengen, nem vacinas. Mas é preciso ter em mãos uma série de documentos para comprovar que você não está imigrando ou planejando passar mais tempo que os 90 dias permitidos. Além disso, é obrigatório contratar um seguro de saúde internacional. Leve com você a passagem de volta, comprovante de hospedagem, de que tem renda para se manter durante a estadia (extrato do banco ou do cartão de crédito) e de que tem emprego fixo no Brasil. Muitas vezes nada é pedido, mas em outras você pode ser o escolhido para uma ‘entrevista’ de 40 minutos e é melhor ter tudo pronto.

HOSPEDAGEM: nosso hotel em Paris foi um achado logístico. O Ibis Paris Tour Montparnasse tem um dos preços mais baixos da rede na cidade, sendo que se localiza no centro – aos pés do monolito marrom e feio que é a Tour Montparnasse – e pode-se chegar até a Tour Eiffel ou aos Jardin du Luxembourg andando. Além disso, há uma entrada para o metrô bem na porta do hotel, que fica em um típico prédio parisiense. A Ibis é uma rede mundial de hotéis de baixo custo do grupo Accor, oferecendo aos hóspedes preços razoáveis por quartos pequenos e limpos, com café da manhã pago à parte.

COMO SE LOCOMOVER:
Táxi – não são caros, mas  também não muito necessários diante da eficiência do transporte público de Paris.
Transporte público – pode-se ir a qualquer lugar de Paris de metrô ou pelo trem metropolitano, o RER. É fácil, rápido e barato. Há também uma boa rede de ônibus, mas não chegamos a utilizar, com exceção daquele que faz o trajeto do aeroporto de Orly, por onde chegamos. É possível verificar todos os itinerários do transporte público da cidade no site da RATP (link nos Sites de Referência)
Carro – não vi nenhuma necessidade, já que o transporte público é facílimo e o trânsito, bem caótico.
A pé – não há nenhum lugar no mundo melhor para caminhar do que Paris. Sem dúvidas o melhor jeito de conhecer a cidade é se perdendo pelas ruas charmosas ou, simplesmente, seguindo ao longo do Senna. Para fazer a ligação com os locais mais distantes, use ônibus ou metrô.

SITES DE REFERÊNCIA:
Blog Conexão Paris
Le Site Officiel de la France
RATP
Paris Museum Pass

ROTEIRO:

Dia 1 – terça, 19/07/2011

Chegamos a Paris debaixo de muita chuva. Já no aeroporto de Orly, adquirimos o fundamental Museum Pass – que libera a entrada em diversas atrações da cidade e tem fila especial na maioria delas – para seis dias, além de um bloco de bilhetes de metrô. Já eram 20h quando o aguaceiro resolveu parar e, apesar do frio de 12ºC em pleno verão, saímos para os primeiros passos na Cidade Luz. Como não podia deixar de ser, nosso destino foi a Torre Eiffel. Podem chamar de clichê, mas Paris é o lugar no mundo onde damos graças a Deus por eles existirem: meu coração disparou quando a vi emergir em meio aos prédios antigos, contra o lusco-fusco do entardecer ainda cheio de nuvens pesadas. Sentamos na base do monumento mais famoso do mundo e jantamos croque monsieur (a torrada francesa) vendo as luzes acenderem pontualmente às 22h. Nada mais perfeito para a primeira noite em Paris!

Meu coração disparou quando vi a Torre Eiffel pela primeira vez

Meu coração disparou quando vi a Torre Eiffel pela primeira vez

Dia 2 – quarta, 20/07/2011

O tempo feio resolveu não dar trégua durante quase toda nossa estadia em Paris. O jeito foi colocar todas as roupas quentes da mala umas por cima das outras e enfrentar o frio e as nuvens carrancudas. Nosso primeiro destino foi a Église du Dôme, onde estão o túmulo de Napoleão e outros heróis militares. Perdemos horas fotografando a cúpula dourada e a esplêndida arquitetura do local. Logo atrás dele fica outra atração parisiense, a imponente ponte Alexandre III, de onde tivemos a primeira vista do Senna. Atravessamos e seguimos caminhando pelas margens do rio até a Place de La Concorde, onde está o Obelisco de Luxor, doado à realeza francesa pelo Egito. Em uma das laterais da praça está a entrada do Jardin des Tuileries, que não estava muito convidativo sob o frio intenso, mas serviu de cenário para um almoço em meio às arvores. Para a sobremesa, fomos até a Rue de Rivoli, localizada logo atrás do parque, e entramos no número 226. Ali fica a doceria Angelina, a mais famosa de Paris. Para espantar o frio, tomamos chocolate quente e provamos o doce da casa, o Mont Blanc. Duas delícias de ajoelhar na mesa e agradecer aos deuses. Ainda levamos mais algumas guloseimas da vitrine coloridíssima para comer mais tarde. Isso porque nosso próximo destino, logo na esquina, era o monumental Louvre. Aproveitamos o horário noturno do museu para percorrer suas infindáveis galerias com (um pouquinho) menos de gente se amontoando para tirar fotos com a Monalisa. Foram necessárias quatro horas lá dentro para ver apenas o crème de la crème: a já citada obra de Da Vinci, a Liberdade Guiando o Povo, a Vitória de Samotrácia, a Vênus de Milo, o Código de Hamurabi, os Cavalos de Marly, a ala egípcia etc etc etc. Com os pés moídos, fomos alguns dos últimos a sair e encerramos ali o primeiro dia em Paris.

É preciso um pouco de paciência para chegar perto da Monalisa

É preciso um pouco de paciência para chegar perto da Monalisa

Dia 3 – quinta, 21/07/2011

Vencidos pelo frio, que não dava sinais de cansaço no terceiro dia, decidimos unir turismo e compras indo até a belíssima Au Printemps, no Boulevard Houssman. São nove enlouquecedores andares com todas as grifes que se possa imaginar. Munidos de sacolas com calças jeans, blusões de lã e echarpes, ainda aproveitamos para almoçar na brasserie que fica no último andar, sob uma cúpula deslumbrante. Quase impossível comer olhando para o prato. Às 15h, tínhamos entradas previamente compradas pela internet para a Torre Eiffel – um ótimo jeito de evitar filas. Fomos até o segundo andar de elevador, para ter a vista mais tradicional da cidade com o Champ de Mars de um lado e os Jardins du Trocaderó do outro, embora o tempo carrancudo não contribuísse muito para as fotos. Para subir até o topo não há como escapar da longa espera (cerca de uma hora), já que são apenas dois elevadores que fazem o trajeto final da torre. Lá em cima, além da paisagem amplificada, é possível degustar uma caríssima taça de champanhe. Mas parece que tudo em Paris vale cada centavo, e brindamos à nossa viagem com o líquido borbulhante e dourado. Saímos do monumento ainda faltando muito tempo para o entardecer e percorremos a curta distância até o Trocaderó, onde passeamos pelos jardins e apreciamos a fachada do Palais de Chaillot. Mas a maior atração do local é, sem dúvidas, a Fontaine de Varsovie. O espelho d’água gigantesco é ornado de inúmeros chafarizes e canhões que lançam jatos ritmados, formando um ciclo completo a cada uma hora. Ficamos ali vendo o balé das águas até as 22h, quando as luzes da torre se acendem no verão. O melhor ponto para assistir ao espetáculo é exatamente o Trocaderó, e pudemos ver os 10 minutos de iluminação em todo seu esplendor.

A Torre Eiffel atinge o auge da beleza à noite

A Torre Eiffel atinge o auge da beleza à noite

Dia 4 – sexta, 22/07/2011

Começamos nosso quarto dia frio e cinzento em Paris pelo famoso Quartier Latin. Avistar a enorme Fontaine Saint-Michel espantou o resto de sono das nossas caras inchadas e começamos a caminhar pelo boulevard do mesmo nome mais animados. Paramos nos inúmeros sebos, admiramos o prédio do Musée du Moyen Age e suas  termas galo-romanas (infelizmente tivemos que cortar a visita interna do roteiro por falta de tempo) e a fachada da Sorbonne. Assim, chegamos até o monumental Pantheón, onde estão enterradas personalidades francesas. O prédio em si é belíssimo e já vale a visita, mesmo que você não queira descer às criptas que abrigam nomes como Alexandre Dumas, Émile Zola e Rousseau. Saímos do Quartier para conhecer outros nomes que marcaram a história da França, mas desta vez no esporte. Pegamos o metrô até o distante Bois de Boulogne, onde fica o estádio de Roland Garros. Fizemos uma vista guiada – e regada com muita chuva – pelo local onde ocorre um dos quatro maiores torneios de tênis do mundo e um dos grandes eventos do esporte mundial. Até passamos a mão num punhado do ‘saibro sagrado’, embora estivesse embarrado. A ideia original era visitar o gigantesco parque depois do passeio, mas a chuva nos espantou do Bois de Boulogne e nos levou de volta ao centro de Paris, para o Palais Royal. Achei que estávamos numa onda de azar, pois quando chegamos descobrimos que o interior do prédio fora fechado para obras. Até mesmo o famoso  pátio, com suas colunas, estava cheio de tapumes. Mas, no fim das contas, quando sentamos nos jardins, descobri que estávamos com sorte. O sol apareceu e iluminou a fonte e as obras de arte moderna, fazendo um belíssimo fim de tarde só para nós, já que a chuva e a reforma haviam espantado todos os demais turistas do local.

© Ticiana Giehl & Marquinhos Pereira

O Palais Royal é mais intimista que outros jardins da capital

Dia 5 – sábado, 23/07/2011

Animados pelos raios de sol no fim da tarde anterior, saímos para Luxembourg apostando na manga curta. Quando chegamos à igreja de Saint-Sulpice e sua belíssima fonte (minha favorita em Paris), o céu estava azul e a temperatura subia, rendendo ótimas fotos. Dali fomos para o Jardin du Luxembourg, o maior parque público da cidade. Caminhamos pelos canteiros simétricos e floridos, pela famosa coleção de estátuas, sentamos nas cadeiras à beira do lago central, admiramos a sombreada Fontaine de Médicis e a fachada do Palais que dá nome ao parque e abriga o Senado da França. E então o céu escureceu e desabou A chuva. Ficamos um bom tempo ilhados em um dos banheiros do parque, acompanhados de um mendigo bêbado que tentava conversar em francês. Junto com a chuva, voltou o frio e comecei a me arrepender de ter escolhido roupas mais frescas quando saímos do Jardin e cruzamos o Sena – passando pela Pont des Arts e seus famigerados cadeados colocados por casais apaixonados que pretendem se ‘prender’ para sempre – para pegar o trem até os arredores da cidade, já que de lá não voltaríamos tão cedo. Isso porque fomos até Versailles, o famoso palácio do Rei Sol, e assistiríamos a um show noturno que só acontece no verão. Chegamos antes do fim da tarde, para ter tempo de conhecer o interior do prédio – babando no salão dos espelhos – e passear pelos famosos jardins de Maria Antonieta também à luz do dia. Enquanto escurecia, o frio aumentava e eu tremia. Minha sorte foi ter parado em uma loja no caminho e comprado um cardigã extra, já que o meu já estava sujo de tanto uso no ‘verão francês’. Vesti os dois casacos, um por cima do outro, mas achei que não iria aguentar até o fim do espetáculo. Ledo engano, pois naquela noite que vivi uma de minhas melhores experiências de viagem: o Grandes Eaux Nocturnes. Nele, durante duas horas, cerca de 20 fontes são iluminadas e cercadas de efeitos especiais, como fumaça de gelo seco, e suas águas jorram ao som de música. Saímos correndo, pois são tantas que não é possível ver todas antes do grande finale, animados feito crianças e completamente esquecidos da temperatura. Quando soou o aviso sonoro, compramos taças de champanhe caríssimas e geladas em um estande montado dentro do jardim, sentamos no gramado em frente ao grande lago da estátua de Netuno e assistimos a 10 minutos de explosões de fogos de artifício sincronizados com música e ‘fontes de fogo’. Um espetáculo de arrancar lágrimas!

© Ticiana Giehl & Marquinhos Pereira

No verão acontecem espetáculos musicais nas fontes de Versailles

Dia 6 – domingo, 24/07/2011

Acordamos cedo para cumprir a ‘maratona’ da Île de la Cité. Não que ela seja grande, pelo contrário, mas há inúmeras atrações turísticas neste pedacinho de terra no meio do Sena. A primeira delas é nada menos que Notre Dame, igreja que também é o marco zero de Paris. Visitamos a construção medieval por dentro, sendo que os maiores atrativos são as rosáceas que ficam iluminadas pela luz do lado de fora em contraste com a escuridão característica das construções da época. A entrada é gratuita no templo, mas para subir nas torres é preciso o Museum Pass e enfrentar uma hora de espera na fila. O remédio foi sentar no meio fio e se armar de paciência, pois não há como sair de Paris sem conhecer as famosas gárgulas não é? Devidamente apresentados a elas, descemos e almoçamos em um bistrô na esquina da igreja, onde optei por um gigantesco crepe de chocolate com banana e cerveja clara. Reabastecidos, demos um passeio rápido pela cripta da cidade, cuja entrada fica logo na frente de Notre Dame. As escavações mostram os primeiros vestígios da tribo que fundou Paris, muito antes de romanos ou francos botarem os pés por lá. A Île de la Cité é uma mina de ouro para quem quer conhecer a parte histórica da Cidade Luz. Da cripta,  fomos até a Pont Neuf, a mais antiga das pontes que cruzam o Sena, com seus arcos e rostos esculpidos. Próxima parada histórica: a Conciergerie, o palácio que virou prisão e abrigou Maria Antonieta até sua decapitação na Revolução Francesa. O local onde ficava a cela virou uma capela em sua homenagem, mas há uma reprodução do lugar onde a mais polêmica rainha da França passou seus últimos dias. A ideia era fazermos o passeio combinado com a Sainte Chapelle, que é interligada à Conciergerie, mas a entrada foi fechada antes do horário previsto porque havia muitas pessoas na fila. Coisas de francês. Nos restou dar uma caminhada pela agradável Square du Vert-Galant, um pequeno parque em forma de triângulo que fica exatamente na ponta da ilha, sendo possível sentar na margem e ficar balançando as pernas sobre o Sena. No fim de tarde o céu cinzento voltou, e sob ele fomos até o Marais. Lá está a Place de la Bastille, com sua modernosa ópera e a coluna que marca o local onde ficava a extinta prisão destruída durante a Revolução. Mas o melhor do bairro é a charmosa e quase escondida Place des Vosges. Medieval, ela se ergue em meio a um quarteirão de casarões antigos, por onde se entra através de pequenas passagens. Um lugar ideal para fugir das multidões de turistas e entrar no espírito parisiense de sentar na grama e bebericar um bom vinho acompanhado de queijo. Como ainda era cedo, decidimos voltar para o centro da cidade caminhando e demos de cara com um grande show no Hôtel de Ville, a prefeitura, por conta do aniversário da cidade. Acompanhamos algumas bandas e, depois, voltamos margeando o Sena para ver as pontes iluminadas à noite.

© Ticiana Giehl & Marquinhos Pereira

Não podia faltar foto com a gárgula de Notre Dame

Dia 7 – segunda, 25/07/2011

Reservamos um dia todo para fazer o passeio de bate-volta até um patrimônio mundial da Unesco que está a poucas horas de Paris, o Mont Saint-Michel. Decidimos conhecer o local com um grupo de excursão, já com almoço e visita guiada inclusos, embora seja possível ir de trem. Atravessamos a Normandia de ônibus, parando em minúsculas vilas para comprar as famosas bebidas da região: a sidra, os licores de  frutas – principalmente maçã – e o Calvados, com seu teor alcoólico de 48%. Chegamos à costa  já por volta do meio-dia e comemos em um restaurante com vista para a ilhota onde fica a abadia. Cercado por bancos de areia que desaparecem na maré alta, Saint-Michel é uma obra ousada de engenharia que começou a ser construída antes do ano 1000 a partir da visão de um bispo. Erguido sobre montes de rocha e fortificado na época das Cruzadas, todo o conjunto – que inclui a igreja e o mosteiro – tem 170 metros de altura. Fizemos toda a subida acompanhados das explicações do guia, que nos levou pelo templo, salas de uso dos monges e os belos claustros. A descida foi livre, e aproveitamos para tirar muitas fotos e comprar caramelos de manteiga salgada, uma delícia local vendida em caixas decoradas com desenhos do santuário. Como era verão e só escurecia por volta das 22h, perdemos o acender das luzes do monte, que dizem ser belíssimo, mas o passeio valeu cada uma das 10 horas de viagem.

© Ticiana Giehl & Marquinhos Pereira

Mont Saint-Michel foi uma obra louca da engenharia

Dia 8 – sexta, 29/07/2011

Chegamos de Avignon já passado o meio-dia, e a primeira coisa que fizemos foi buscar um lugar para almoçar. Perto do nosso hotel, em Montparnasse, fica a creperie mais famosa da cidade, a Ty Breizh, e a elegemos para a refeição. Escolhi o crepe alemão, gigantesco e com direito a salsicha e ovo frito no recheio, uma delícia! O sol finalmente brilhava sobre a Cidade Luz e aproveitamos que ele só se poria dali a muitas horas para pegar duas conexões de metrô até o famoso bairro boêmio de Montmartre. Localizado mais perto da periferia do que do centro turístico da cidade, o lugar exige um pouco mais de cuidado, principalmente nas escadarias da Basilique du Sacré Cœur, onde tentam barrar sua passagem para oferecer produtos duvidosos. Por isso, optamos por subir e descer usando o funiculaire, uma espécie de bondinho na diagonal que faz o curtíssimo trajeto por uma passagem de metrô. A igreja é realmente belíssima, muito mais clara e iluminada que suas colegas medievais, mas o melhor do lugar é mesmo a vista para a cidade. Das escadarias, enxerga-se o conjunto de monumentos de Paris, com a torre, Notre Dame e o arco. Ainda zanzamos algum tempo pelas ruas, até o Moulin Rouge, e paramos para tomar um café enquanto as luzes vermelhas do lendário cabaret ainda sumiam em meio à claridade natural. Depois, querendo rever tudo que havia ficado tão cinza em nossas primeiras fotos, voltamos à Place de La Concorde, ao Tuileres, onde andei de roda-gigante, e ao Louvre, onde o sol se põe dourado em meio ao Arc de Triomphe du Carrousel. As imagens na câmera ficaram muto mais bonitas desta vez!

No verão, o sol se põe sobre o Jardin des Tuileries

No verão, o sol se põe sobre o Jardin des Tuileries

Dia 9 – sábado, 30/07/2011

No fim das contas, foi uma sorte não termos conseguido entrar na Sainte Chapelle no mesmo dia que fizemos o passeio à Conciergerie. Isso porque, ao contrário daquela semana anterior sempre cinza, o sábado amanheceu dourado. Quando entramos, o sol atravessava todos os vitrais, que são a grande atração da capela. Recuperado o passeio perdido, fomos para a região de Beauborg e Les Halles. Passamos rapidamente pela medieval Tour St-Jacques, que naquela época só podia ser vista por fora, e paramos para algumas fotos na belíssima Fontaine des Innocentes, com suas esfinges cuspindo água. Depois, hora de dar um tempo na Paris histórica e conhecer o segundo lugar mais visitado da cidade – perde apenas para a Torre Eiffel -, o Centre Pompidou. Para quem, como eu, não gosta de arte moderna, o gigantesco museu é uma obra também pelo lado de fora, com escadarias penduradas em tubos que sobem pela fachada. É possível fazer apenas a subida por elas, sem ter que pagar a entrada total. A praça ao redor do Centre também é uma atração à parte, com seus inúmeros artistas de rua e a divertida Fontaine Stravinsky. Saímos de lá para conhecer a avenida mais famosa do mundo: a Champs Elysées. A primeira parada não poderia deixar de ser no Arc de Triumph. Mesmo com o Museum Pass, tivemos que enfrentar fila para subir até o alto do monumento, de onde é possível ver o modernoso Grand Arc e a sempre presente Torre Eiffel. Depois, descemos pela larguíssima via preguiçosamente, caminhando ao sol e admirando as fachadas das lojas de grifes. Demos também uma parada para fotos nos Grand e Petit Palais. Ainda para este dia, tínhamos comprado com antecedência ingressos para subir à torre novamente, mas desta vez à noite. Recomento que todos façam as duas visitas, diurna e noturna, pois o entardecer, o acender das luzes da cidade e o momento em que ela fica toda iluminada são tão imperdíveis quanto a vista da cidade sob o sol. Querendo esticar até o fim nosso último dia completo na cidade, ainda voltamos ao Arc de Triumph para vê-lo iluminado e jantamos em um restaurante da Champs Elysées para um último brinde em Paris.

© Ticiana Giehl & Marquinhos Pereira

É preciso estar do outro lado da avenida para uma boa foto do Arco

Dia 10 – domingo, 31/07/2011

A corrida contra o tempo para aproveitar os últimos minutos em Paris começou pelo Boulevard St-Germain. Como era domingo, as calçadas estavam desertas e as lojas de grife, fechadas, tirando da rua uma parte do seu charme. Passamos pelos lendários Cafe de Flore, Le Pocope e Les Deux Magots, mas havíamos acabado de tomar café da manhã no hotel e acabamos não experimentando nenhum deles. Ainda demos uma parada na St-Germain-des-Prés, a igreja mais antiga de Paris. Quando o relógio bateu 9h30, já estávamos esperando as portas do Musée D’Orsay se abrirem. Fora a arquitetura linda do lugar – uma antiga estação de trem -, ele abriga uma vasta coleção impressionista com obras de Van Gogh, Monet, Degas e Renoir. Saindo do museu, demos de cara com um dos píeres onde se pegam os barcos que fazem o transporte de passageiros pelo Sena. Como nossa ideia era voltar até o Trocadéro, nada poderia ser mais perfeito. O barco singrou pelas águas ao sol forte da manhã de domingo, passou pela Île de la Cité – mostrando um ângulo diferenciado de Notre Dame -, e deu a volta após a Île Saint-Louis, subindo até a Torre Eiffel. Ali fizemos um típico programa de verão do parisiense: sentamos no gramado ao redor da Fontaine de Varsovie e assistimos ao ciclo completo das águas, até levarmos um banho no grande jato final. E fui assim ‘batizada’ antes de partir da Cidade Luz.

Ver Notre Dame de outro ângulo é um dos atrativos de navegar no Senna

Ver Notre Dame de outro ângulo é um dos atrativos de navegar no Senna

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Avignon

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COMO CHEGAR: Avignon fica na região da Provence, a 580 km de Paris. O meio mais rápido e barato de chegar à cidade é de trem, seja o TGV direto da capital francesa (a viagem demora 2h40), seja o comum de alguma outra cidade. A diferença, além do preço, é que a estação do TGV fica fora da cidade e é preciso pegar um ônibus que te deixa logo na entrada das muralhas. Já a estação local fica logo em frente, é só atravessar a rua. Se você já estiver na região, também consegue pegar um ônibus. Ainda é possível chegar de avião pelo Aeroporto Caumont, que recebe voos domésticos.

CLIMA: a melhor época para viajar à França vai depender do que você quer ver lá. Durante todo o ano, o país desfruta de temperaturas amenas, sendo que pode haver muito sol ou muita chuva dependendo da época. Se a pedida forem as praias do sul, serão os meses de calor de julho e agosto quando a temperatura passa de 30ºC em Ajaccio ou Marselha. Mais ao norte, acaba ficando próxima dos 25ºC, como em Brest ou Deauville. Se for a neve, janeiro e fevereiro, embora raramente isso aconteça em Paris. A neve é abundante nos maciços montanhosos, como os Alpes, mas é mais rara nas planícies, encontrando-se essencialmente ao norte do rio Loire. Se a boa for caminhar em meio às famosas folhas douradas que cobrem os chãos europeus sem extremos de calor ou frio, o ideal é o outono, entre setembro e outubro, embora ele seja chuvoso. Na primavera, o termômetro depressa passa acima dos 20ºC no sul e, depois de maio, todos os franceses passeiam pelas ruas de camiseta. A Provence, região onde está localizada a cidade, goza de verões quentes e secos com temperaturas superiores a 30°C e noites relativamente frescas, entre 20°C e 25˚C. Mesmo os invernos são leves e ensolarado, mas, às vezes, pode ser bastante frio por causa do Mistral, um vento forte e frio. Os melhores meses para visitar a Provença são aqueles que vão de abril a setembro, quando o clima é mais agradável e as variações do termômetro, menos bruscas.

FUSO HORÁRIO: quatro horas a mais do que o horário de Brasília.

DOCUMENTOS: não é necessário visto prévio para turismo nos países da chamada Zona Schengen, nem vacinas. Mas é preciso ter em mãos uma série de documentos para comprovar que você não está imigrando ou planejando passar mais tempo que os 90 dias permitidos. Além disso, é obrigatório contratar um seguro de saúde internacional. Leve com você a passagem de volta, comprovante de hospedagem, de que tem renda para se manter durante a estadia (extrato do banco ou do cartão de crédito) e de que tem emprego fixo no Brasil. Muitas vezes nada é pedido, mas em outras você pode ser o escolhido para uma ‘entrevista’ de 40 minutos e é melhor ter tudo pronto.

HOSPEDAGEM: o Ibis Avignon Centre Gare é uma excelente escolha para conhecer a cidade de Avignon, especialmente se você chegar via trem. Como o nome diz, ele fica ao lado da estação central de vagões comuns e muito próximo ao terminal de ônibus que leva você até a estação onde para o TGV, o trem-bala francês. Embora não tenha uma vista muito bonita, para os trilhos, o prédio está bem localizado logo do lado de fora das famosas muralhas da cidade, sendo possível caminhar até o outro lado, onde está a Pont Sainte Benezet, em cerca de 20 minutos ou pouco mais. A Ibis é uma rede mundial de hotéis de baixo custo do grupo Accor, oferecendo aos hóspedes preços razoáveis por quartos pequenos e limpos, com café da manhã pago à parte.

COMO SE LOCOMOVER:
Táxi – não chegamos a utilizar porque a parte histórica da cidade pode ser facilmente percorrida a pé. Só parece necessário para quem chega pelo aeroporto ou quer fazer os passeios pela região por conta própria.
Transporte público – também não chegamos a utilizar, pelos mesmos motivos acima. Mas o sistema é muito eficiente em toda a França.
Carro – não há necessidade, como já foi dito. Além disso, o trânsito parece ser bastante caótico e os motoristas franceses, agressivos. Fica como opção para quem quer percorrer os arredores da cidade e tem ojeriza a tours.
A pé – foi como conhecemos a cidade e parece a melhor opção, já que tudo dentro das muralhas pode ser conhecido apenas batendo perna. Para conhecer locais fora da cidade, como os campos de lavanda, basta contratar um passeio em van ou micro-ônibus.

SITES DE REFERÊNCIA:
Rail Europe
Blog Conexão Paris
Le Site Officiel de la France
Avignon’s Tourist Office Website

ROTEIRO:

Dia 1 – quarta, 27/07/2011

Chegamos no trem vindos de Carcassonne às 15h30, hora em que, no verão francês, ainda teríamos muito tempo de sol pela frente. E decidimos não perder nenhum minuto. Assim que largamos as coisas no hotel, que ficava bem ao lado da estação, já demos de cara com um dos pontos turísticos da cidade: as muralhas. Construídas na época medieval, elas cercam a chamada Cidade Velha e foram tombadas como Patrimônio Mundial pela Unesco. É dentro delas que ficam as construções históricas e também o maior festival de teatro da França, que estava acontecendo justamente naquela semana. Por todos os lados, artistas se apresentavam em meio aos prédios antigos, fazendo números de mímica, dança, música, mágica e pequenas esquetes. As peças mais importantes aconteciam nos teatros, mas a magia estava mesmo nas ruas. Por conta disso também a cidade estava cheia e uma multidão lotava a Place d’Horloge, a principal da cidade, com seus cafés, bares e restaurantes espalhados sob o sol quente do verão. Almoçamos um lanche leve, já com os olhos na maior atração de Avignon, que se ergue ao lado da praça: o Palais des Papes.

No Palais pode-se conhecer a vida dos papas sem ir ao Vaticano

No Palais pode-se conhecer a vida dos papas sem ir ao Vaticano

A cidade se tornou famosa em toda a cristandade ao se converter na residência dos papas em 1309. Clemente VI, não querendo voltar a Roma depois do caos da sua eleição, comprou a cidade da rainha Joana I da Sicília e ela permaneceu como propriedade dos pontífices até 1791, quando foi incorporada à França. Graças a isso, Avignon ela ganhou um belíssimo palácio, onde os trabalhos de restauro nos permitem ver pinturas do século 12 ainda nas paredes e conhecer um pouco da suntuosidade em que viviam os representantes de Deus na Terra sem ter que passar pelas filas do Vaticano. É possível fazer a visita ao palácio com ingresso combinado para a Pont Sainte Benezet, mas, devido ao horário, ela já estava fechada, mesmo com o sol a pino, e tivemos que guardar a outra metade da visitação para o dia seguinte. Logo ao lado do Palais estão uma igreja pequena e simpática e o jardim Rocher des Dom. Localizado em uma colina que se ergue sobre a cidade, ele fecha um pouco mais tarde e foi o local que escolhemos para assistir a um belo pôr do sol. O parque é lindo, cheio de gramados, fontes e um lago com um café, e tem vista para a ponte e o Rio Rhône. Tanto que, expulsos pelo fim do dia, decidimos voltar no outro para vê-lo melhor. Voltamos à Place d’Horloge por volta das 22h e ainda havia luminosidade no céu. Sentados nos bares, apreciando uma gelada e saborosa cerveja belga de morango, acompanhada de crepe de caramelo, e vimos se acenderem as luzes que iluminam o Palais des Papes à noite. É um outro espetáculo, e vale tanto quanto conhecê-lo de dia.

A iluminação noturna do Palais impressiona tanto quanto a diurna

A iluminação noturna do Palais impressiona tanto quanto a diurna

Dia 2 – quinta, 28/07/2011

Acordamos cedo para fazer um tour que havíamos agendado com antecedência pelos campos de lavanda, o cartão postal da Provence. Eu já havia escolhido a região como parte do nosso roteiro justamente porque estaríamos na França na época da floração, quando eles colorem de lilás esta parte do país: as duas últimas semanas de julho. Uma simpática guia levou a nós, um casal de árabes e um trio de coreanos mau humorados pelas estradas ao redor de Avignon, até que, já bem alto nas montanhas, encontramos os campos. A reação infantil diante de tanta cor e beleza é praticamente unânime. Todos pulam da van e correm pelo local, tiram zilhões de fotos e aspiram o perfume que, na planta, é bastante sutil. Após essa epifania campestre, fomos conduzidos até o pequeno e simpático vilarejo de Sault, onde um mirante tem vista para os quadrados coloridos que formam as plantações lá em baixo e também é possível comprar diversos produtos feitos com lavanda. Me contentei com alguns itens da L’Occitane en Provence, que tem sua fábrica na região e que são vendidos a preços bem mais em conta por causa da ausência de frete, e com um inusitado sorvete de lavanda.

Apesar da cor vibrante, o perfume das flores é bem sutil

Apesar da cor vibrante, o perfume das flores é bem sutil

Uma delícia docinha e refescante para o calor do meio-dia. Em seguida, a guia nos levou de volta para a cidade, onde seguimos direto até a ponte que ilustra a famosa canção típica francesa ‘Sur le Pont d’Avignon’, a Sainte Benezet. A construção medieval não cobre mais todo o rio, mas vai até a metade dele e é possível passear por esse trecho. Também pode-se engatar dali uma caminhada sobre uma pequena parte das muralhas, logo abaixo do Rocher des Doms. Ao lado, fica um píer onde se pega, gratuitamente, a navette que leva ao outro lado do Rhône.  A margem de lá tem uma ciclovia ajardinada e proporciona a melhor visão da ponte. De volta ao lado da cidade, retornamos ao jardim, dessa vez para aproveitar as sombras com um pouquinho mais de tempo. Passeamos pelas alamedas, sentamos no gramado e comemos profiteroles com sorvete no café do lago. À noite, voltamos à Place d’Horloge para mais uma janta sob as luzes e sombras do Palais des Papes. Ainda aproveitamos o último dia do festival de teatro para assistir algumas apresentações antes de voltar para o hotel.

A outra margem do rio oferece a melhor vista da ponte de Avignon

A outra margem do rio oferece a melhor vista da ponte de Avignon

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